Troca de ministros ameaça cronograma de modernização

A saída de Nelson Jobim é um complicador para o amplo programa de reorganização, reequipamento e requalificação das Forças Armadas. Também atinge o plano executivo de consolidação do parque industrial nacional de material militar. As duas vertentes sofrerão com atrasos até que o novo ministro, Celso Amorim, tome conhecimento das operações em andamento na área.

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2011 | 00h00

Há inquietação também em relação à promessa de descontingenciamento de parte das verbas congeladas em janeiro e com o orçamento de 2012. Na Marinha, por exemplo, as obras de construção da base de submarinos e do estaleiro em Itaguaí, resultado do acordo de cooperação estratégica do Brasil com a França, perdeu R$ 300 milhões em 2011. E não há caixa compromissado para manter o ritmo previsto em 2012.

Em junho, Jobim havia definido com a presidente Dilma Rousseff que dez projetos do Ministério da Defesa considerados prioritários receberiam o selo da Presidência, de forma a reduzir os efeitos dos cortes orçamentários. Dilma exigiu relatórios mensais sobre cada empreendimento. O agora ex-ministro transformou a ordem em portaria. Entraram na lista os programas de desenvolvimento de submarinos, de obtenção de navios de superfície e de patrulha oceânica; e a produção dos novos blindados Guarani e dos helicópteros Super Cougar. Na Aeronáutica, entraram no pacote o cronograma de execução do cargueiro KC-390, da Embraer e o recebimento dos aviões de patrulha P-3AM.

As três Forças receberam a determinação de apressar as especificações da primeira fase das redes de proteção das fronteiras, do mar e do espaço aéreo - talvez o mais caro de todos os processos de modernização da Defesa, com um custo estimado em US$ 180 bilhões ao longo de 20 anos. Ontem, oficiais-generais dos três comandos revelavam ao Estado preocupação com a indicação de Celso Amorim, que nunca escondeu suas restrições à Estratégia Nacional de Defesa (END), documento de referência e de fixação de diretrizes do setor. Amorim considera intimidativo o conteúdo da END.

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