Tropa de Choque entra na prisão de Presidente Venceslau

A Tropa de Choque da Polícia Militar entrou às 7 horas desta quarta-feira na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde os detentos estavam amotinados desde a tarde de terça-feira. A unidade abriga mais de 700 presos ligados ao Primeiro Comando da Capital, incluindo parte da cúpula da organização. Os amotinados quebraram todas as celas, em protesto contra a decisão da diretoria de fazer um remanejamento interno dos detentos. Por volta das 9 horas, ouviu-se uma explosão no interior do presídio e funcionários informaram que a PM estava usando bombas de efeito moral para controlar os amotinados. Até as 9h30 a P2 era a única penitenciária da região ocupada pela PM. O motim começou depois de uma blitz em que foram encontrados quatro celulares, 13 chips de celular, 14 porções de maconha e placa de celular com chip. Os presos quebraram vidros e promoveram alguns outros estragos. Durante a noite de terça-feira e madrugada desta quarta-feira a situação foi de aparente calma, observada do lado de fora do presídio. Uma ambulância entrou no presídio junto com a Tropa de Choque. Na noite de terça-feira, advogados de presos diziam que alguns ficaram feridos durante o motim, com pernas e braços quebrados. Em ações como esta, o Choque fica horas dentro do presídio, saindo somente à tarde. Até às 9h20, a coordenadoria regional dos presídios não se manifestou sobre o assunto. Ataques em SP Os ataques registrados na noite de terça-feira em São Paulo podem ter ligação com os problemas em Presidente Venceslau, no oeste do Estado. Antes dos atentados, policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) interceptaram uma ligação de um preso, dizendo que a onda de violência na capital poderia recomeçar. Fontes do sistema prisional teriam sido avisadas de que se os PMs entrassem no local para conter a ação dos detentos haveria outra onda de ataques contra o Estado Na noite de terça-feira, dois ônibus e um microônibus foram queimados no Parque Bristol e um carro da Polícia Militar foi metralhado, na frente da Estação Ipiranga da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Avenida Presidente Wilson, na zona sul de São Paulo. O Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão não confirmou a informação de que os atentados estariam ligados aos problemas registrados em Presidente Venceslau. "Todas as hipóteses estão sendo examinadas", disse o secretário. "Por enquanto, não há uma definição". Ele disse ainda que "é preciso que se coloquem as coisas nos seus devidos lugares" e desvinculou os ataques de uma possível ação do PCC. As investigações não descartam ainda a hipótese de que os ataques poderiam estar relacionados à prisão de Fábio Aparecido de Almeida, de 26 anos. "Magrão", como é conhecido, foi preso na terça-feira e confessou participação no assassinato do diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mauá, Wellington Rodrigo Segura, no dia 26 de janeiro. Votuporanga Os presos da cadeia pública de Votuporanga, no interior de São Paulo, fizeram uma rebelião na tarde de terça-feira, 6. O motim começou por volta do meio-dia e durou cerca de três horas. Algumas celas ficaram destruídas após os detentos atearem fogo em colchões. Os presos se revoltaram quando os carcereiros serviam comida, pois queriam que o serviço fosse feito por um dos detentos. Ninguém ficou ferido e não houve tentativa de fuga, segundo a polícia. Não há informações da ligação entre o motim de Votuporanga e a rebelião em Presidente Venceslau.

Agencia Estado,

07 Fevereiro 2007 | 10h16

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