Tropas de Goiás e Brasília rumam para o Rio

Dois dias depois do assalto que afrontou o Exército e de operações infrutíferas em favelas cariocas, o Comando Militar do Leste anunciou que tropas de Goiânia e de Brasília, e um helicóptero, serão deslocados para o Rio a fim de auxiliar na busca pelos nove fuzis e uma pistola roubados do Estabelecimento Central de Transportes (ECT), na madrugada da última sexta-feira. Em nota, o CML informou que "qualquer tropa do Exército Brasileiro poderá ser mobilizada para atuar na cidade do Rio de Janeiro em poucas horas". Neste domingo, a ocupação das favelas foi ampliada - os militares cercaram os acessos para os morros da Providência, no Centro, e do Dendê, na Ilha do Governador. O Exército ocupa ainda entradas da favela de Manguinhos e complexos da Maré e do Alemão. Caminhões com carroceria aberta, carregando militares, circularam pela zona norte e centro. Blindados M-113 e Urutus - espécie de tanque sobre rodas, e não esteiras - foram posicionados junto aos acessos do Alemão. Ali, onde vive um ex-cabo do Exército suspeito de participar do assalto, a vigilância era mais rígida. Carros eram parados e os motoristas tinham de abrir o porta-malas. Kombis e vans também foram vistoriadas. Em outros pontos da cidade, como no Morro da Providência, a atuação dos militares foi menos ostensiva. "Eles tinham que ficar aqui todos os dias. A situação está muito complicada por aqui", disse Luciana de Araújo dos Santos, de 26 anos, que passava com a prima e duas filhas, de 3 e 4 anos. Pergunta se as meninas não estavam assustadas com a movimentação, respondeu: "Não. Elas já está acostumadas a ver armas". Mas a ocupação dos militares não agradou a todos. "Isso é uma palhaçada. Se eu fosse bandido estava escondido no barraco, em vez de sair de casa para passear com a família no domingo. É um constrangimento", disse um morador do Complexo do Alemão, que saía de carro com a mulher e a filha e teve o veículo revistado. Até o fim da tarde deste domingo, o Disque-Denúncia havia recebido 82 ligações com informações sobre o roubo das armas. "Recebemos boas informações, sobre a facção que comandou o assalto e sobre possíveis envolvidos", disse o superintendente do Disque-Denúncia, Zeca Borges. Ele se disse surpreso com a quantidade de telefonemas. "Casos como a morte do Tim Lopes e a Chacina da Baixada motivaram número grande de ligações, mas esse é o primeiro caso de roubo com tantas denúncias", comentou. Sete homens armados, com roupas de camuflagem e toucas ninjas, invadiram o ECT, atravessaram todo o quartel a pé, dominaram os soldados que estavam na sala do corpo da guarda e arrombaram o armário em que estava o armamento. Três militares foram agredidos. Um inquérito policial militar (IPM) foi aberto e tem prazo de 40 dias para ser concluído, prorrogáveis por mais 20.

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