Trote sobre Belo causa confusão e mobiliza polícia

A notícia de que o cantor de pagodeMarcelo Pires Vieira, o Belo, iria se entregar hoje à políciacausou muita confusão, atraiu dezenas de pessoas para o centroda capital e mobilizou a polícia paulista. O cantor estáforagido deste a última quarta-feira, quando teve sua prisãopreventiva decretada sob acusação de colaboração com o tráficode drogas. Segundo o delegado Carlos Mezher, tudo não passou deum trote.Por celular, um suposto assessor do cantor afirmou, ao vivo, aoprograma Cidade Alerta, da TV Record, que ele estava no HotelHilton, no centro da cidade, e iria se apresentar no 3.ºDistrito, em Campos Elíseos. Falando com o apresentador NeyGonçalves Dias, o "assessor" disse que Belo havia desmaiado nafrente do DP e iria para a Santa Casa. Muita gente foi para ohospital. Policiais passaram pelo hotel e estiveram na SantaCasa, mas o cantor não havia estado nesses locais.Belo procurou o criminalista Michel Assef, que defendeu obicheiro carioca Castor de Andrade. Assef contou que aceita acausa, entre outras condições, se o cantor se entregar neste fimde semana. "Ele não me respondeu se aceita as condições.""Armação" - O singelo bar da dona Terezinha, na Avenida Miguel Estéfano, no bairro da Saúde, zona sul da cidade, guarda hoje a lembrança de um personagem especial: o cantor Belo, filho da proprietária. O apelido foi dado pelos amigos, ironicamente por ser um menino feio e de dentes tortos. Belo nasceu em 1974 no mesmo bairro onde fica o bar que ele deu de presente à mãe quatro anos atrás, quando ela era costureira. O pai, que era pedreiro, já morreu.Desde a notícia do mandado de prisão preventiva do cantor há uma semana, dona Terezinha não aparece no bar. A responsabilidade de cuidar do estabelecimento ficou nas mãos de Dionísio Júnior, de 22 anos, que é amigo de Belo desde a infância. Eram vizinhos, estudaram juntos e tocavam em bares da região. Indignado com a situação em que o amigo se encontra, Júnior afirma: "Só pode ter sido alguma armação de outros artistas com inveja do sucesso que ele faz." E defende o amigo "O Belo nunca usou nenhuma droga, sempre foi contra. Se ele não usava quando era pobre, não teria por que usar agora."O rapaz conta que a mãe de Belo liga todos os dias para saber como andam as coisas no bar. "Mas eu não sei onde ela está e ela disse que não vai falar com ninguém", afirma. Segundo o rapaz, dona Terezinha foi ao Rio de Janeiro no domingo, para conversar com o filho sobre uma distribuidora de salgadinhos que os dois pretendiam montar.Na expectativa de que o amigo vá conseguir provar sua inocência, Júnior lamenta que isso esteja acontecendo com Belo. "Ele sempre foi uma pessoa muito humilde e ajuda todos que estão ao redor dele . Uma vez chegou um paraplégico aqui no bar e o Belo deu uma cadeira de rodas para ele."

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