TRT investiga ameaça a juízes em S. José

O Tribunal Regional do Trabalho e a Polícia Federal investigam casos de ameaça de morte contra três juízes do Fórum Trabalhista de São José dos Campos. Nesta sexta-feira, uma comissão criada pelo TRT da 15ª Região, em Campinas, foi a São José dos Campos para ouvir funcionáriosdo fórum, juízes e advogados.Segundo o vice-presidente do TRT, José Carlos deSouza há suspeitas de que as ameaças estejam partindo de pessoas que freqüentam o local e estejam envolvidas em processos que tramitam no fórum. ?Com certeza são pessoas que têm interesse em processos a serem julgados pelos magistrados.?Por mais de duas horas, a comissão ouviu cinco juízes, dois advogados e quatro funcionários. ?Em uma segunda etapa, vamos ouvir outros 15 advogados e, de acordo com os depoimentos, de casos isolados, vamos sabendo como são as relaçõesentre advogados, juízes e funcionários?.As ameaças podem estar ligadas a processos que estavam nas mãos da juíza Suzana Santício, que depois de receber muitas ameaças, foi transferida, em janeiro de 1998,para a cidade de Jaboticabal (SP). Já em outro fórum, ela teve o carro e a casa metralhados, mas não chegou a ser atingida.Depois que a juíza Suzana Santício foitransferida, o cargo foi assumido pela juíza Maria da Graça Bonança Barboza, queherdou também as ameaças. Por este motivo, a comissão do TRT acredita que as pessoas responsáveis pelas ameaças estejam envolvidas nos mesmos processos.Entre as ameças feitas à juíza Maria da Graça, uma carta foi divulgada pela comissão do TRT. Na carta, os autores dizem conhecer os horários, os locais freqüentados e a família da juíza. Em linguagem irônica alertam para que ela tome cuidado com uma ?balinha? que pode atingi-la.Outras ameaças também são feitas à diretora do cartório Maria Vânia Fernandes e sugerem que ela e a juíza respeitem mais os advogados. Nenhum juiz quis dar entrevista. A juíza Maria da Graça garantiu que reforçou a segurança pessoal. Outras medidas de segurança para o fórum também estão sendo pedidas com urgência à Justiça do Trabalho.?Precisamos dar condições para que os juízes possam trabalhar com tranqüilidade?, afirmou um dos representantes da Associação dos Magistrados do Trabalho, Renato Henry Santana. A Polícia Federal continua apurando o caso, mas não revela os nomes de possíveis suspeitos para não atrapalhar as investigações.

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