TRT/RJ retoma atendimento ao público em 4 de março

A presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) no Rio, Ana Cossermelli, anunciou nesta segunda-feira que todos os prazos processuais, como recursos, cumprimentos de sentenças e decisões judiciais, estão suspensos até o dia 4 de março, quando a sede do TRT-RJ, no Centro, deve retomar o atendimento ao público.O prédio foi destruído parcialmente por um incêndio no último dia 8, que atingiu 28 gabinetes de juízes e a delegacia regional do Trabalho. Nesta segunda-feira, a ala sul do TRT, que não foi atingida pelo fogo, chegou a ser aberta para serviços internos, mas, por volta das 10h30, o expediente foi suspenso. ?Muitos funcionários sentiram um forte cheiro de queimado e pensaram que o incêndio tivesse recomeçado, por isso determinei que o prédio fosse evacuado?, disse Cossermelli.Cheiro da soldaA Defesa Civil foi chamada, mas nada foi detectado. Segundo ela, o cheiro de queimado vinha da solda usada no trabalho de escoramento das paredes dos quatro últimos andares da ala norte, atingidas pelo fogo, e que ameaçam desabar. ?Por segurança, achei melhor suspender os serviços até o dia 4 de março?, explicou a presidente do TRT-RJ.Na hora em que o prédio foi esvaziado, elevadores estavam desligados, mas não houve tumulto na escada. ?Como era pouca gente, todo mundo saiu ordeiramente. Não cheguei a me assustar porque não senti cheiro de queimado?, disse a funcionária do setor de Informática, Simone Ribeiro, de 33 anos, que trabalha no sétimo andar. Ela disse que ainda não calculou o aumento de trabalho que o incêndio no TRT vai provocar. ?Não deu nem tempo de dimensionar nada. Não temos a menor idéia do que vai acontecer?, afirmou.Advogados, irritadosA informação de que o tribunal ficará fechado até o dia 4 de março irritou advogados. ?É uma total falta de respeito. Não recebemos informações?, disse Ricardo de Souza. Ele tem uma ação tramitando no TRT desde 1993. Seu cliente ganhou a causa, e o dinheiro da indenização está para sair desde o início do mês. ?Só preciso do alvará para levantar o dinheiro. Já poderia ter recebido desde antes do carnaval. Não sei o que fazer?, disse o advogado.A advogada Maria Adelaide Magalhães criticou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por não defender a categoria neste momento. ?O dinheiro da minha cliente poderia ter sido liberado desde o Natal, mas está preso. Os juízes fazem tudo para atrapalhar a liberação, e a OAB não nos defende. O julgamento de um recurso leva dois anos, alas estão lotadas com mais de 30 mil processos parados. Esse incêndio só veio piorar uma situação que já estava totalmente degradada?, reclamou Adelaide.Sem prazoA estimativa da corregedora do TRT-RJ, Doris Louise, é de que, pelo menos, 18 mil processos tenham sido destruídos - e não 35 mil, como havia sido anunciado antes. Não há prazo para a restauração dos processos ainda. ?Primeiro, temos que identificar cada processo, saber a quantidade exata, para depois estipular prazos?, avaliou Ana Cossermelli.Nesta segunda-feira de manhã, ela se reuniu com o presidente da OAB-RJ, Octávio Gomes, que propôs um mutirão para restaurar todos os processos destruídos pelo incêndio. ?A Justiça trabalhista é a mais social que existe, porque lida com direitos dos trabalhadores. Não poderíamos ficar alheios a esse problema?, afirmou Gomes, que colocou à disposição do TRT-RJ os 75 conselheiros da Ordem, 150 funcionários da Comissão de Defesa dos Direitos e Prerrogativas dos Advogados, além de estagiários.A OAB também cedeu três salas de sua sede, no Centro, com capacidade de 60 lugares cada, onde serão instaladas provisoriamente a Escola de Magistratura, que funcionava no prédio do tribunal. Segundo Ana, os gabinetes dos 28 juízes, atingidos pelo fogo, ocuparão, agora, um andar do prédio do Banco do Brasil, também no Centro.

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