TSE deve investigar ligação entre PT e dossiê contra tucanos

A Corregedoria Geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve assumir a condução do inquérito que investiga o suposto dossiê que relaciona o ex-ministro José Serra com a Máfia das Ambulâncias. Para o TSE, a intervenção é necessária uma vez que o processo criminal está influindo na campanha eleitoral. Os tucanos acusam o PT de envolvimento no caso.O PSDB diz que o PT está por trás da divulgação dos fatos a poucos dias das eleições. Em declarações públicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz repudiar tal prática. No fim de semana, o diretório estadual do PT negou responsabilidade sobre o caso.Se a intervenção for confirmada, não será a primeira vez em que o TSE assume a condução de um inquérito, lembra o site Consultor Jurídico. Em 1990, quando disputavam a Presidência da República Lula e Fernando Collor de Mello, explodia na mídia o caso Lubeca. Luiz Eduardo Greenhalgh era acusado de receber dinheiro clandestino de empreiteiros com interesses na administração municipal petista. O delegado do caso, Macilon José Bernardes, era acusado de vazar as informações e o corregedor-geral do TSE, ministro Romildo Bueno de Souza, requisitou o inquérito para brecar a fonte de notícias.Nesta segunda-feira, os advogados do PSDB planejavam apresentar uma representação contra o que os tucanos chamam de ´interferência do governo no processo eleitoral´. A ação será contra o presidente-candidato Lula; contra o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e contra o presidente do PT, Ricardo Berzoini. Para os advogados, há fatos suficientes para a cassação do registro da candidatura Lula - como prescreve a Lei das Inegibilidades (LC 64/90). Neste final de semana, os advogados do PSDB conseguiram liminar que proibiu o candidato do PMDB, Orestes Quércia, de repetir a divulgação das notícias veiculadas pela revista Istoé e pelo jornal Correio Braziliense. Nos dois casos associa-se a imagem de Serra e Alckmin ao esquema dos Sanguessugas.Para os tucanos, o governo interfere diretamente na campanha. Ao evitar o flagrante da compra de acusações contra o PSDB por petistas em São Paulo, a PF teria, na visão tucana, transformado o mesmo caso em dois. Um, a prisão de duas pessoas com dinheiro na capital paulista. Outro, a apreensão de um dossiê com o objetivo de mostrar que os candidatos tucanos participaram do esquema dos sanguessugas. ?A PF, que sempre se orgulha de mostrar suas façanhas e proezas, escondeu desse jeito o resultado da prisão e apreensão como aconteceu em São Paulo, enquanto em Cuiabá se promoveu um grande espetáculo com essa profusão de detalhes?, disse o advogado do PSDB, Ricardo Penteado.Segundo o advogado, como se trata de dinheiro não contabilizado - o que foi apreendido em São Paulo - não existe a hipótese de responsabilização do diretório estadual, já que a propaganda provocada estaria favorecendo o partido nacionalmente.Em defesa do PSDB, Penteado insiste em que o material apreendido em Cuiabá é ?absurdamente inofensivo, mas provoca uma reserva mental aos olhos da população?. Ele diz que integram o dossiê apreendido fotos de situações que não dizem respeito ao escândalo das ambulâncias, como as de um encontro de prefeitos promovido em 2004.O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Marco Aurélio, deve receber cópia da representação do PSDB nesta segunda-feira. ?Vamos aguardar que as instituições funcionem com a eqüidistância que todos esperam?, afirmou. O corregedor-geral César Asfor Rocha não se pronunciou.

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