TSE unifica coligações para governo e Senado

Ricardo Lewandowski, presidente da corte, afirma que decisão promove a 'coerência política e ideológica' para alianças nos Estados

Ana Paula Scinocca e Mariângela Gallucci, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2010 | 00h00

Em freio à poligamia eleitoral, o Tribunal Superior Eleitora (TSE) restringiu a formação de alianças aleatórias no Estados. Ontem, o presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, afirmou que as coligações feitas na campanha deste ano terão de ser mais coerentes.

Uma decisão unânime tomada na noite de terça-feira pelo TSE impede que vários partidos se coliguem para governador, mas fiquem separados na disputa pelo Senado. Apesar de a decisão ter reduzido as possibilidades de coligação, Lewandowski considera que não houve um engessamento das alianças.

"Eu não gostaria de usar a palavra engessado. Eu acho que deve haver mais uma coerência. As alianças devem guardar uma coerência maior. A decisão foi no sentido de que as alianças mantivessem uma certa coerência política e ideológica", disse Lewandowski.

Na prática, a decisão do TSE dificulta as negociações de alianças nos Estados. O tribunal chegou a essa conclusão durante o julgamento de consultas do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) e do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Coerência e sacrifícios. A decisão do TSE foi bem recebida por senadores ontem. "A coligação majoritária tem de ser uma só. Caso contrário, ficaria estabelecida uma anarquia", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Para o também tucano Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, a decisão mostra "coerência" da corte.

A líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), também defendeu a decisão do tribunal. "É muito coerente. Deveria ser assim também em relações às coligações estaduais e nacionais. Não pode haver mais flexibilização", anotou.

A resposta do TSE terá influência direta nos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. No Rio, a decisão leva o PV a sacrificar sua pré-candidata ao Senado, a vereadora Aspásia Camargo, para dar espaço ao ex-prefeito do Rio, César Maia (DEM). Isso porque a aliança com o DEM é fundamental para que o pré-candidato do partido ao governo, Fernando Gabeira, ganhe mais tempo na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

Caso o TSE tivesse respondido positivamente à consulta de Francisco Dornelles, DEM, PV, PSDB e PPS poderiam se unir em torno da candidatura de Gabeira, mas o primeiro partido ficaria livre para lançar César Maia de forma avulsa.

Em São Paulo, a decisão obrigará o PTB do senador e pré-candidato à reeleição Romeu Tuma a não se coligar formalmente ao PSDB para a candidatura de Geraldo Alckmin. No Estado, já são pré-candidatos formais ao cargo de senador os políticos Orestes Quércia, do PMDB, e Aloysio Nunes, do PSDB.

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