Tubarão mata estudante em Recife

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Por Agencia Estado
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O estudante Carlos Alberto Brasileiro, de 20 anos, foi morto por um tubarão, confirmou nesta quarta-feira o Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife. O rapaz perdeu o braço esquerdo, parte do tórax e da coxa esquerda, além de ter sofrido uma mordida na face. O corpo foi encontrado na tarde de segunda-feira, na praia de Boa Viagem, zona sul da cidade. Ele estava desaparecido desde sábado, quando saiu de casa para ir à praia. Ataques não são raros O último ataque de tubarão no litoral pernambucano foi em dezembro de 1999, também na praia de Boa Viagem. O banhista Aílton Cícero da Silva teve a perna direita amputada, mas sobreviveu. O IML divulgou nesta quarta-feira o laudo, assinado pelo médico legista Silviano Rodrigues, atestando que o óbito foi motivado por "ferimento e corte contundente por animal marinho de grande porte". Os peritos tiveram dificuldade para identificar Brasileiro porque suas digitais não estavam nítidas. Este foi o 33º ataque registrado no litoral sul do Estado desde setembro de 1992, de acordo com pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco que trabalham no projeto Ecotuba (Ecologia de Tubarões na Costa do Nordeste). Nove dos que sofreram ataque eram banhistas, quatro praticavam bodyboarder, e o restante era surfista. Das 33 vítimas, 11 morreram - oito banhistas e três surfistas. Tubarão-tigre Segundo o coordenador do Ecotuba, o professor Fábio Hazin, o animal que atacou o banhista deve ser da espécie cabeça-chata ou tigre, responsável pelas outras agressões. Desde 1998 é proibida a prática de qualquer esporte aquático na faixa litorânea entre o Porto do Recife e o Porto de Suape - trecho onde ocorreram os ataques. Somente na praia urbana de Boa Viagem, que tem maior afluxo de pessoas, o Corpo de Bombeiros mantém 40 homens fazendo a fiscalização para que a determinação seja cumprida. A assessoria do Corpo de Bombeiros afirmou que vai manter o mesmo esquema de fiscalização e considerou a morte de Carlos Alberto Brasileiro um caso isolado. Além dos arrecifes A assessoria afirma que o rapaz provavelmente não atendeu aos avisos distribuídos pela orla que alertam para que não se nade além dos arrecifes. A irmã do estudante, Alexsandra Brasileiro, afirmou que Carlos Alberto só gostava de nadar em águas profundas, depois dos arrecifes, que funcionam como uma proteção natural. Ela disse que havia combinado encontrar-se com ele às 13 horas do sábado, na praia, mas ele não apareceu. Depois de ir às delegacias e hospitais da cidade, nesta terça-feira ela foi ao IML, mas o corpo estava tão desfigurado que ela não pôde reconhecer o irmão, que só foi identificado hoje.

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