Tuberculose preocupa Baixada Santista

A grande incidência de tuberculose está preocupando médicos da Baixada Santista, região que apresenta índices relativos da doença maiores que a do Estado.Santos registra 600 novos portadores do bacilo de Kock (agente transmissor da moléstia) por ano, o que resulta em 150 pessoas infectadas para cada 100 mil habitantes, enquanto, no Estado, a média é de 55 novos pacientes por ano. No Guarujá, foram registrados 245 novos casos, no ano passado, e 52 pacientes tiveram recaídas, perfazendo um total de 297 infectados, o que significa 125,2 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.Já em Bertioga, o número de infectados em 2000 chegou a 92 pessoas, para uma população de 30.903 habitantes, e, em 2001, foram confirmados 13 novos casos da doença. Para o secretário de Saúde de Santos, Tomas Soderberg, a região e especialmente o município têm condições climáticas que propiciam a propagação da doença. Por isso, a secretaria está se estruturando para combater o mal.Ele lembrou que Santos foi uma das primeiras cidades brasileiras a registrar casos de tuberculose, o que motivou a construção do Hospital Guilherme Álvaro, que no início, apenas tratava pacientes com a doença. Soderberg esteve em São Paulo, na semana passada, com os demais secretários de Saúde da região para discutir os procedimentos e os resultados obtidos nos programas de controle da doença. "Aqui temos o tratamento supervisionado, que consiste na adoção da medicação assistida".Outra medida importante é a busca ativa de suspeita de novos casos e dos próprios pacientes que integram o programa para que o tratamento não seja interrompido. "Essas medidas têm permitido a redução das taxas de abandono do tratamento, que hoje estão estimadas em 13%", conclui o secretário. Mas, além do clima propício à propagação da doença, o chefe da sessão de Saúde Pública de Bertioga, Péricles de Oliveira, aponta outros motivos para o expressivo número da doença no município: "Bertioga, segundo dados do IBGE, foi a cidade que mais cresceu em termos populacionais (16,11%). Com isso, tivemos invasões e o conseqüente aumento de habitações inadequadas, desemprego, alcoolismo, aids e a má qualidade de vida". De acordo com Oliveira, Bertioga assinou dia 22, em São Paulo, uma carta-compromisso, na Secretaria Estadual de Saúde, para obter os recursos necessários para combater a tuberculose. "Com o dinheiro vamos promover a busca ativa dos casos, fazer a medicação supervisionada, a fim de que haja continuidade no tratamento."

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