Tucano aposta nas realizações em saneamento

Nas últimas duas semanas, governador inaugurou 7 estações de tratamento de esgoto

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

O governador e candidato virtual do PSDB à Presidência da República, José Serra, tem trabalhado na reta final de sua gestão para dar visibilidade a obras de saneamento. Nas últimas duas semanas, Serra inaugurou 7 estações de tratamento de esgoto. Foi a atividade mais recorrente em sua agenda. A área é um dos pilares do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cuja segunda fase deve ser lançada neste mês e com potencial para virar bandeira de campanha da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

A presença de Serra nessas cerimônias não é por acaso. Houve uma decisão de governo, no mês passado, de levá-lo a cada uma das inaugurações do maior programa de saneamento do Estado, o Onda Limpa.

Chegou-se a discutir a organização de um único grande evento para entrega coletiva das estações de tratamento, mas venceu a tese de fazer uma inauguração, mesmo que pequena, por cidade atendida. A avaliação foi que a aparição em várias doses é mais eficiente para dar visibilidade às obras de um serviço que, em geral, é difícil de ser vitrine eleitoral.

Os números de beneficiados pela expansão do sistema de saneamento na gestão Serra indicam o potencial eleitoral dessas obras. Em três anos, segundo o governo, 3 milhões de pessoas passaram a contar com tratamento de esgoto e mais de 1 milhão, com rede coletora. O IBGE diz que 52% dos domicílios no País têm acesso à rede de esgoto, ante 88% em São Paulo.

Desde o fim de fevereiro, Serra esteve em Santos, Guarujá, Bertioga, Praia Grande, Itanhaém, Mongaguá e Tremembé para entregar estações de esgoto. Ele é esperado em, ao menos, mais uma inauguração.

RITMO ACELERADO

Para este ano, Serra acelerou o ritmo de inaugurações. Até dezembro, promete entregar 66 estações de tratamento de esgoto, mais da metade do que já fez em sua gestão - 90. O desembolso de recursos neste ano também será mais generoso: R$ 2,9 bilhões, ante média de R$ 1,9 bilhão de 2007 a 2009.

Apesar do investimento bilionário, a área está longe de atrair multidões. Serra sabe disso e tenta ser o mais didático que pode em seus discursos para aproximar as obras da população. "O que tem a ver com a vida de vocês isso? Vai melhorar o turismo aqui na Praia Grande, valorizar imóveis, melhorar como fonte de empregos, fundamental para todo mundo", disse em um dos primeiros eventos. "Segundo, ajuda a saúde, e a saúde das crianças. Porque isso que estamos jogando no mar vai ser coletado das casas."

A área de saneamento também tem sido usada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para promover Dilma. Na semana passada, eles foram ao Rio Grande do Sul para entregar 605 casas e um sistema de esgotamento sanitário. Até o fim do mês será lançado o PAC 2, que terá no saneamento uma das áreas de destaque.

Os tucanos veem no setor um aliado para desconstruir a bandeira adversária. No início deste mês, o Instituto Trata Brasil (ITB) divulgou um relatório sobre as obras de saneamento no PAC 1. A constatação não favorece Dilma. De 101 obras de redes de esgoto e estações de tratamento analisadas, 44% não atingiram 20% de execução e mais de 23% nem começaram. As ações de saneamento sumiram dos balanços do PAC do governo Lula. Dilma diz que, por serem de responsabilidade de prefeituras e Estados, devem ser analisadas em separado.

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