Tucano defende criação de novo ministério e petista ironiza elogio

Em feira de acessibilidade, Serra fala em pasta para 'mobilizar País' e Dilma diz que a oposição mudou de 'estilo' com Bolsa-Família

, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2010 | 00h00

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, defendeu ontem a criação de um ministério extraordinário "para mobilizar o País". A declaração foi feita depois que o tucano foi sabatinado por uma menina portadora de síndrome de Down enquanto visitava uma feira de produtos e equipamentos para deficientes físicos, em São Paulo.

"Não é só a ação direta do governo, é necessário e importante mobilizar a sociedade. Se um dia eu chegar (à Presidência), se mereço a confiança do povo brasileiro vou fazer isso", disse. Ele aproveitou ainda para destacar iniciativas de seu governo com relação ao atendimento às pessoas com necessidades especiais.

Serra percorreu por quase uma hora os estandes da exposição e comentou rapidamente os resultados da pesquisa Datafolha, divulgada ontem, em que aparece com 10 pontos porcentuais à frente da petista Dilma Rousseff. "Vocês sabem que, em geral, não comento pesquisa porque pesquisa fotografa o momento. Temos muita coisa, uma batalha grande pela frente, não é?"

Para ele, a campanha "vai acelerar mesmo depois da Copa do Mundo". "Estamos começando um trabalho prévio porque pela lei as convenções indicam os candidatos formalmente em junho. Vamos trabalhando prestando muita atenção nas pesquisas, sabendo que elas são uma foto do momento. Não são o resultado. Para chegar nesse resultado teríamos que trabalhar muito."

No Sul. A petista Dilma Rousseff adotou a mesma estratégia do adversário tucano. Questionada sobre o resultado da pesquisa, disse que não comenta o assunto. "Pesquisa é retrato do momento. Ela sendo o que seja, eu não comento pesquisa", disse.

Em seu terceiro dia de agenda no Rio Grande do Sul, Dilma participou ontem de uma plenária que lideranças do movimento sindical e social organizaram como ato de pré-campanha. No evento, ela ironizou os elogios que Serra fez ao Bolsa-Família. "Não quero polemizar com ele, mas acho interessante esse novo estilo da oposição, de tentar passar por aquilo que não foi nos últimos sete anos e meio", reagiu.

"Se apoiassem tanto o nosso governo, por que não apoiaram antes? É só isso que eu pergunto", questionou a petista. Nos últimos dias, Serra tem prometido manter e ampliar o programa de transferência de renda do governo Lula.

À frente de cerca de mil apoiadores presentes no evento, ela voltou a acusar a oposição de ser "lobo em pelo de cordeiro". "Até ontem eram a oposição mais feroz, mais destrutiva, que foi contra o Bolsa-Família dizendo que era Bolsa-Esmola."

Sempre citando o crescimento econômico, chegou a fazer críticas indiretas à gestão de FHC. "Eu não entrego o meu País, vocês jamais me verão assumindo decisões que levam à perda das riquezas do País ou à venda de seu patrimônio."PORTO ALEGRE

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