Tucano e petista intensificam batalha de realizações

Enquanto Lula reuniu ministros para planejar lançamento do PAC-2, Serra fez maratona de inaugurações

Julia Duailibi e Leonencio Nossa / BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

Enquanto não é dada a largada oficial da campanha, as duas principais máquinas governamentais do País travam duelo de programas, obras e factoides.

Os condutores dessa batalha estavam ontem em campo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu ministros para acelerar preparativos do PAC 2, programa que lançará no dia 29 e que listará obras e investimentos para além de 2010. Já o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), passou por três cidades no mesmo dia para entregar obras e anunciar investimentos de seu governo.

Com a aproximação do dia 2 abril, prazo estipulado por lei para quem for disputar eleição deixar o cargo no Executivo, o governador tucano focou em marcas de sua gestão. "Meninas dos olhos do governo Serra", conforme definiu o secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, as escolas técnicas (Etecs) e faculdades de tecnologia (Fatecs) encabeçaram a lista de inaugurações nos últimos dias. De olho no eleitorado jovem, Serra entregou ontem unidades novas e reformadas em Mogi-Guaçu e Mogi-Mirim e assinou ainda um convênio com a Fundação Roberto Marinho para a construção de outra escola na capital. Dois dias antes, entregara uma unidade em Francisco Morato, na Grande São Paulo.

Em Brasília, Lula e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, passaram boa parte da reunião sobre a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento discutindo ações em saneamento, energia e petróleo e melhorias em favelas.

Um assessor do presidente disse que ele espera que Serra se posicione sobre as metas do PAC. Lula cuida pessoalmente dos preparativos do anúncio do PAC 2, marcado para o dia 29, em Brasília, e da festa de despedida de Dilma e outros ministros que deixarão seus cargos para concorrer, na tarde do dia 1.º de abril, no Itamaraty.

Batalha. Governos federal e estadual ensaiam uma batalha de números sobre ensino técnico na eleição presidencial. O governo tucano diz ter aumentado como nunca o número de vagas em escolas técnicas, passando de 70 mil para 177 mil na gestão Serra. Dilma endossa o discurso de Lula segundo o qual "nunca antes na história do País" foram criadas tantas vagas de ensino técnico pelo governo federal. Tanto Serra quanto Lula pretendem fechar os últimos quatro anos com cerca de R$ 1 bilhão de investimento no setor.

Os dois governos também atuam para levar o saneamento básico para a vitrine eleitoral. Desde o início do mês, Serra inaugurou sete estações de tratamento de esgoto. Até dezembro, pretende entregar outras 66. Lula, por sua vez, fez do saneamento um dos pilares do PAC e deve ampliar os recursos para o setor na segunda parte do programa.

A disputa pelos holofotes se estende ao mundo do trabalho. No final do ano passado, o presidente anunciou a elevação do salário mínimo para R$ 510 - o reajuste, de 9,69%, superou a inflação. Em fevereiro, Serra surpreendeu ao anunciar um reajuste ainda maior para o piso salarial do Estado, de 10,89%. O valor do piso passou para R$ 560.

O último episódio da disputa de programas também foi protagonizado por Serra. Ele determinou anteontem a ampliação, para R$ 200, do teto do Renda-Cidadã, espécie de versão paulista do Bolsa-Família. Antes, só podiam se beneficiar dos pagamentos mensais feitos pelo governo as famílias que tivessem renda per capita de até R$ 100.

Em discurso durante assinatura de convênio para implantação de uma Etec voltada para a área de mídia eletrônica, em São Paulo, Serra falou de outras iniciativas sociais do governo, como o programa de requalificação profissional. Destacou ainda iniciativas para geração de empregos e cursos técnicos de enfermagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.