Tucano festeja, mas erra palpite

Presidenciável chega atrasado, assiste ao jogo com Alckmin e Kassab na[br]zona leste e, atordoado pelas vuvuzelas, providencia comemoração contida

, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2010 | 00h00

Em meio à tormenta dos dossiês e a correria de campanha, José Serra tirou a tarde de ontem para um compromisso mais ameno no Itaim Paulista, extremo leste da cidade, limite com Ferraz de Vasconcelos. Na quadra fechada de uma associação esportiva ele assistiu ao segundo jogo do Brasil na Copa, contra os Elefantes da Costa do Marfim. A bola rolava havia dez minutos quando o tucano acomodou-se na primeira fila, em uma cadeira de plástico, ao lado de Geraldo Alckmin, candidato ao governo do Estado, do prefeito Gilberto Kassab, e nomes do segundo escalão tucano. À sua frente, o telão de 200 polegadas e os fotógrafos e câmeras de TV que perseguiam suas reações a cada lance. "Dois a um para o Brasil", arrisca.

Errou o palpite e ainda saiu de lá com as orelhas ardendo de tanta vuvuzela que os 500 convidados não pararam de assoprar um instante só por todo o galpão abafado. Foi festa da militância, que reuniu os 19 diretórios do PSDB na região mais excluída da metrópole. Roseli Geraldo, da agremiação em Guaianases, não queria que o evento ganhasse ares de campanha. Mas ganhou. Para a criançada, que fez fila, pipoca e algodão doce.

Quando Luís Fabiano desencanta e enfia a bola nas redes do adversário Alckmin dá um salto, lépido!, e Lu aplaude. Serra, mais contido, levanta-se como em cerimônia oficial, ergue as mãos para os céus e depois bate palmas. Meia hora de jogo. Serra e Alckmin emendam conversa ao pé do ouvido, embora fustigados pela arruaça.

Aos 32, Guilherme Afif, do DEM, rouba a cena. Um tanto fora do peso, enfiado em camiseta verde do escrete nacional, faz arriar as pernas finas da cadeira e vai ao chão de cimento. Não foi nada, só o susto. Logo vem o pessoal do cerimonial, três deles, cada um com uma cadeira reforçada nas mãos. Cismado, Serra põe-se de pé e olha para a sua. Assessoria arruma assento novo para o chefe.

Na segunda etapa, aos oito, um elefante ameaça a meta brasileira. Serra leva as duas mãos à cabeça ? no intervalo ele havia declarado que Costa do Marfim é time fraco. Faz muito calor, o tucano enxuga o suor com um lenço. Um copo de água lhe é servido. Protesta por impedimento quando Drogba, o astro inimigo, anota de cabeça. Perguntam a ele se trocaria o time. "Não vou dar uma de técnico, senão o Dunga vai opinar sobre campanha presidencial." / F.M.

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