Tucano larga em vantagem e ministra luta para ir além do PT

Tucano larga em vantagem e ministra luta para ir além do PT

Análise

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Abril marca o início oficial da pré-campanha à Presidência da República. Os candidatos são obrigados a deixar seus cargos e assumir, mesmo que extraoficialmente, suas candidaturas. É o fim dos "treinos classificatórios" e o início da corrida propriamente dita. O grid de largada tem José Serra (PSDB) na frente de Dilma Rousseff (PT). E os demais candidatos muito atrás dos dois ponteiros.

A pesquisa Datafolha renovou o fôlego da oposição e deve esquentar o lançamento da pré-candidatura de Serra, previsto para 10 de abril. O tucano mostrou resiliência: caiu entre dezembro e fevereiro, quando as enchentes em São Paulo ameaçaram fazer naufragar suas pretensões presidenciais, mas se recuperou em março, principalmente depois de assumir publicamente a candidatura a presidente em um programa de TV.

Serra se beneficia pelo fato de ser o mais conhecido dos presidenciáveis e galvaniza a maior parte do eleitorado de oposição. Ao superar a ambiguidade, mostra que será um adversário duro de ser batido pela candidata governista. Ele alcançou, nesta eleição, um porcentual de saída bem mais alto do que teve em 2002: 36% agora contra os 22% de oito anos atrás. É mais do que Geraldo Alckmin tinha em março de 2006 e do que Fernando Henrique Cardoso em 1994.

Dilma deu um salto entre dezembro e fevereiro, graças às múltiplas aparições ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa superexposição lhe permitiu alcançar o patamar histórico que os candidatos petistas alcançam por essa fase da campanha. Ela tem 27% no Datafolha (30% no Ibope de duas semanas atrás). Nos meses de março das eleições passadas, Lula tinha 30% em 1994, 25% em 1998, e 29% em 2002. Apenas quando disputou a reeleição, em 2006, o presidente partiu de um porcentual mais alto (42%).

Isso mostra que o crescimento de Dilma, até agora, se deu no eleitorado cativo do PT que, ao descobrir que ela é a candidata de Lula, passou a citar seu nome nas pesquisas. Daqui para frente o desafio de Dilma será mais difícil. Ela terá que disputar com Serra os eleitores que não são nem simpatizantes do PT nem francamente opositores ao governo, os chamados "independentes".

E terá que conquistá-los longe do governo. Até agora, como ministra, ela tinha acesso franqueado às inaugurações de obras do governo, ao lado de Lula. Sem o cargo, do qual deve se desincompatibilizar, Dilma vira apenas candidata, e subir nesses palanques passa a ser mais arriscado, porque pode implicar punições pela Justiça Eleitoral.

Esta primeira fase da campanha vai até a segunda quinzena de junho, quando as convenções partidárias oficializarão as candidaturas e trarão a eleição para o primeiro plano, disputando espaço com a Copa do Mundo. Até lá, não deverá ser uma prioridade dos brasileiros. A maioria, 59%, não sabe dizer espontaneamente o nome de um candidato a presidente. A corrida apenas começou.

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