Tucano será relator de ação contra Valdemar Costa Neto

BRASÍLIA

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2011 | 00h00

O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado José Carlos Araújo (PDT-BA), nomeou Fernando Francischini (PSDB-PR) para relatar a representação contra Valdemar Costa Neto (PR-SP), acusado de quebra de decoro parlamentar pelo PPS e pelo PSOL.

Além de ser da oposição, Francischini é delegado da Polícia Federal e participou de grandes operações, como as que resultaram nas prisões do ex-deputado Hildebrando Pascoal e dos traficantes Juan Carlos Abadia e Fernandinho Beira-Mar.

A escolha do tucano foi feita por Araújo com base em uma lista tríplice, definida em sorteio. As duas outras opções eram Waldenor Pereira (PT-BA) e Chico Lopes (PC do B-CE). O presidente do Conselho de Ética disse ter escolhido o delegado depois de conversar com os três.

O PSOL e o PPS reuniram em sua representação reportagens que apontam a participação do deputado em reuniões no Ministério dos Transportes nas quais se pedia a empresários o pagamento de supostas propina para a liberação de recursos.

Consta também no pedido de investigação um vídeo no qual Valdemar negocia a liberação de recursos do ministério em troca do ingresso do deputado Davi Alves Silva Júnior no PR.

A representação também traz um trecho de entrevista de Valdemar a uma rádio de Mogi das Cruzes, na qual ele diz querer uma diretoria de um banco público para ajudar aliados a liberar verbas. Um aditamento incluiu ainda no escopo da investigação uma denúncia de fraudes na "Feira da Madrugada", em São Paulo.

Escolhido, Francischini agora terá de preparar nas próximas semanas um parecer preliminar defendendo a necessidade ou não de se investigar o deputado do PR. Se a investigação for aberta, o processo pode levar até à cassação do parlamentar. Francischini evita adiantar seu posicionamento, mas classificou como "gravíssimas" as acusações. "Vou atuar com imparcialidade, mas com justiça. Vou buscar provas e oferecer resultados."

Valdemar, por meio de sua assessoria, não quis comentar a escolha. O deputado disse que vai se manifestar diretamente no Conselho quando for o momento adequado.

Na época do escândalo do mensalão, Valdemar renunciou ao mandato para fugir de um processo de cassação. Ele é um dos réus que aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal.

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