Tucanos acusam policiais de violência em Bauru

Serra estava na cidade para apoiar candidato à prefeitura [br]e teve de interromper passeata; sindicato nega acusação

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

25 Outubro 2008 | 00h00

Exibindo armas e usando gás pimenta, policiais civis em greve dispersaram um ato da campanha do PSDB em Bauru, que elege amanhã seu prefeito no segundo turno. A acusação é da direção do PSDB local, que informou que dois de seus cabos eleitorais ficaram feridos. Instantes antes, o governador José Serra teve de interromper a caminhada que fazia no calçadão. "Eles chegaram com buzinas e faixas. Até aí, tudo bem. O Serra e o nosso candidato (Caio Coube) foram embora mais cedo. Quando eles saíram, começou a selvageria", afirmou o vice-presidente do PSDB de Bauru, Carlos Roberto Ladeira. Márcio Cunha, do Sindicato dos Investigadores, negou. "Levamos faixas, cornetas e vaias. Só. Somos contra a violência e, se alguma coisa houve, foi um ato isolado, que nós condenamos." Cunha disse que a manifestação foi filmada e vai contatar a Corregedoria da Polícia Civil para mostrar as imagens. A notícia da ação chegou à Assembléia Legislativa. O líder do PSDB, Samuel Moreira, lamentou as agressões. Nessa semana, o governo enviou à Assembléia três projetos de reajuste salarial e de reestruturação da polícia. Os sindicalistas rejeitaram as propostas e mantiveram a greve. Bauru é uma das regiões onde a paralisação encontrou grande adesão. A visita de Serra incluía a caminhada pelo calçadão, ao lado de Coube e do deputado estadual Pedro Tobias. "O governador ia andar todo o calçadão, mas saiu depois do primeiro quarteirão", disse Ladeira. Foi quando a manifestação degringolou para provocações. Segundo Ladeira, os policiais investiram contra os cabos eleitorais. A confusão na Praça Rui Barbosa deixou intoxicadas, segundo Ladeira, as cabos eleitorais Ana Cláudia Travassos e Meriva Cristina da Silva. Os dirigentes do PSDB não sabiam o que fazer. "BO não dá pra fazer, pois quem estava armando arruaça é quem devia registrar o boletim", afirmou Ladeira. Apesar dos relatos dos tucanos de Bauru, a assessoria do governador afirmou que não houve incidente. A manifestação, segundo a assessoria, foi "pacífica". A assessoria desconhecia a existência de feridos ou de truculência dos grevistas. VALE-REFEIÇÃO Anteontem, o governo resolveu aumentar o limite de concessão do vale-refeição para os policiais civis, como forma de evitar uma distorção. É que a proposta de aumento de 6,5% faria uma parte dos agentes policiais passarem a ganhar R$ 30 a menos. É que o reajuste salarial daria R$ 60 a mais no salário-base, mas faria com que se ultrapassasse o teto para ter direito ao vale, de R$ 2.098. Outro motivo para a continuação do movimento grevista seria a exclusão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) dos concursos para delegado. Isso foi rejeitado pelo diretor da Academia da Polícia Civil, delegado Tabajara Novazzi Pinto. Segundo ele, o projeto encaminhado pelo governo à Assembléia Legislativa não prevê a mudança, ao contrário do que informou a Associação dos Delegados. Os policiais civis de São Paulo conseguiram o apoio de colegas das 27 unidades federativas do Brasil, que, a partir de segunda-feira, trabalharão com uma faixa no braço nas cores preta e vermelha, em alusão à greve da categoria. O ato simbólico foi definido anteontem em reunião das entidades de classe dos policiais paulistas. "Policiais do Brasil todo resolveram nos apoiar, em razão da proposta insignificante dada pelo governo e também em razão do confronto com a Polícia Militar na semana passada", disse o presidente do Sindicato dos Investigadores, João Batista Rebouças. "A nossa idéia é que os policiais trabalhem com essa faixa até o fim da greve." COLABORARAM BRUNO TAVARES, EDUARDO REINA e CLÁUDIO DIAS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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