Tucanos apostam em exportadores e empresas aéreas

Classe média rural e setor financeiro também estão na mira do PSDB, que ainda pretende captar doações pela internet

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

O tucanato aposta em duas "novidades" nesta eleição presidencial para driblar a dificuldade que a oposição geralmente enfrenta na hora de arrecadar recursos e financiar a campanha: o engajamento da classe média rural e a participação de pessoas físicas com doações de valores mais modestos, via internet. Mas, novidades e circunstâncias à parte, tudo será feito sem descuidar do setor financeiro.

Para fortalecer as finanças da campanha os tucanos listaram alguns setores da economia como alvos dos arrecadadores, a começar pelos exportadores sempre queixosos da política cambial que Serra promete mudar. Da mesma forma, estão na mira as empresas de transporte aéreo que integram a lista das mais prejudicadas por uma alta do dólar.

Estudos do banco JP Morgan revelam, por exemplo, que uma alta de 10% do dólar levaria a uma perda de R$ 70 milhões nas receitas da empresa aérea GOL - considerando o cenário em que as demais variáveis permaneçam constantes.

Bancos. Hoje, como nas últimas campanhas do PSDB à Presidência, a expectativa geral é de que as doações mais vultosas venham dos bancos.

Não por acaso, quem está à frente da estrutura de arrecadação é o engenheiro e economista Sérgio Silva de Freitas, de 67 anos, que foi vice-presidente do Banco Itaú e secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo na gestão do banqueiro Olavo Setúbal.

A amizade com Serra vem desde 1984, um ano antes da morte de Tancredo Neves, quando Freitas foi escalado para tranquilizar o empresariado quanto ao risco de guinadas na economia. Há mais de dois meses ele vem participando de reuniões com o time das finanças da campanha tucana e tem sido apresentado a empresários como o responsável pela arrecadação.

Sérgio de Freitas não está sozinho na ofensiva do tucanato para engordar o caixa da campanha. O ex-deputado e ex-banqueiro Ronaldo Cezar Coelho, outro amigo de Serra há mais de 20 anos, trabalha desde o início do ano para demover qualquer resistência do setor ao eventual governo tucano, diante das críticas de Serra à política dos juros altos e à atuação do BC.

Com a experiência de quem já coordenou as finanças da campanha presidencial de Geraldo Alckmin em 2006, o presidente da João Fortes Engenharia e ex-deputado Márcio Fortes só não está à frente do comitê arrecadador de Serra porque tem de se dedicar à campanha no Rio de Janeiro, onde é o candidato a vice-governador na chapa de Fernando Gabeira (PV). Ainda assim, ele também é peça-chave na conquista de doadores de vulto pelo perfil eclético.

Fortes já passou pela Secretaria-Geral do Ministério da Fazenda, pela presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela direção de vários órgãos de classe, como a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e o Clube de Engenharia.

"Poder de fogo". A presidente da Confederação Nacional da Agricultura, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), diz que não fará campanha em nome da CNA e lembra que, por lei, a entidade não pode fazer doações para nenhuma campanha. "Mas poder de fogo para arrecadar nós temos", avisa, destacando que os produtores rurais, na condição de pessoas físicas, têm o "direito de trabalhar" pelo candidato que fizer as melhores propostas para o setor.

Na contabilidade tucana, a classe média rural brasileira, que reúne 2,3 milhões de produtores, pode fazer a diferença na eleição. Afinal, bastaria cada um deles contribuir com R$ 100 para que a campanha colocasse R$ 230 milhões no cofre. "O Serra não tem muita proximidade com o agronegócio, mas tem quem tenha", adverte a senadora, lembrando que o setor representa um terço do Produto Interno Bruto (PIB) e 42% das exportações brasileiras.

O candidato a vice na chapa tucana, deputado Índio da Costa (DEM), é um dos que vão usar a internet como instrumento de arrecadação. "Hoje eu falo para 300 mil pessoas diretamente no meu site e tenho 40 mil seguidores no Twitteer", ressalta.

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