Tucanos armam ofensiva pró-Serra em SP para impedir avanço de Dilma

Contra-ataque político aos petistas prevê demonstração de força no Estado, com realização de encontro com 450 prefeitos na semana que vem

Julia Duailibi, Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

Marketing. Cartaz de divulgação: expectativa é reunir pelo menos 300 prefeitos paulistas              

 

 

 

 

 

A coordenação da campanha do presidenciável do PSDB, José Serra, preparou uma ofensiva política para fazer frente ao crescimento da adversária Dilma Rousseff (PT) nas últimas pesquisas de intenção de voto.

O contra-ataque político dos tucanos prevê demonstração de força no Estado de São Paulo, onde foi articulado encontro com 450 prefeitos paulistas na semana que vem, e a exibição de depoimentos de apoio a Serra no horário eleitoral gratuito na TV, gravados por "estrelas" do PSDB.

Foi fechada ontem uma agenda conjunta entre Serra e o candidato tucano ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, com o objetivo de projetar a candidatura presidencial no Estado. Tucanos querem fazer uma frente no maior colégio eleitoral do País, impedindo o avanço de Dilma.

Para o encontro, no dia 1.º, foram convidados 450 prefeitos, inclusive os que são de partidos da base de apoio de Dilma Rousseff, como o PMDB - em São Paulo a legenda apoia o PSDB.

A expectativa é de que, pelo menos, 300 representantes de municípios paulistas apareçam no evento, no Credicard Hall, na zona sul paulistana. Também foram convidados vice-prefeitos e vereadores. Tucanos disseram que colocarão na entrada do encontro contadores de pessoas para ter ideia precisa de quais aliados compareceram à reunião.

No fim de semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença em comícios do PT na Grande São Paulo. No Estado governado pelo PSDB há 16 anos, tentou "vender" sua candidata à Presidência e Aloizio Mercadante, que disputa o Palácio dos Bandeirantes pelo PT.

Pesquisas de intenção de voto mostram diminuição da vantagem de Serra no Estado. Segundo o Instituto Datafolha, caiu pela metade sua dianteira em relação a Dilma em São Paulo, entre julho e o início de agosto. Passou de 14 para 7 pontos porcentuais.

Mensagens. Parte da ofensiva política, os programas de Serra na televisão começarão a exibir mensagens de apoio de políticos com projeção nacional, gravadas especialmente para o candidato do PSDB. Também foram enviadas aos Estados cenas de Serra pedindo votos para deputados.

Já foram gravadas mensagens de apoio do ex-prefeito Beto Richa, candidato pelo PSDB ao governo do Paraná e líder das pesquisas em seu Estado, e de Simão Jatene, tucano que disputa o governo do Pará. Haverá também mensagem de Alckmin.

Hoje, Aécio Neves, candidato ao Senado por Minas, grava seu depoimento. Na realidade, Aécio já havia gravado mensagem, mas os marqueteiros de Serra preferiram regravar em estúdio para melhorar a qualidade. Depois da gravação, o mineiro deve se encontrar com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"O objetivo é mostrar a que viemos. Mostrar o entorno da candidatura dele (Serra), assim como fizemos em 10 de abril", afirmou um dos coordenadores da campanha, ao mencionar o encontro nacional em Brasília no qual Serra se lançou à Presidência.

Em viagem ao Rio Grande do Sul, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, começou a colocar em campo o que chamou de "sacudida e realinhamento". Disse que a campanha nacional será "colada" nas disputas estaduais.

"Estamos conversando com a Yeda para dar uma colada nas duas campanhas e o movimento suprapartidário tem de ganhar escala, ter mais escala operacional", disse Guerra, ao fim de encontros com integrantes do Movimento Suprapartidário Gaúchos com Serra e com a governadora Yeda Crusius. Apesar das declarações de Guerra, líderes do PSDB nacional são contra colar no Estado Serra à imagem de Yeda, que amarga um terceiro lugar nas pesquisas locais.

Os integrantes do comitê suprapartidário apresentaram a Guerra uma série de pedidos para ajustar a campanha. Reclamaram da falta de material e de informações. As agendas de Serra no Estado, quase sempre marcadas na última hora e alteradas a qualquer momento, já impediram que seus aliados se mobilizassem para recebê-lo.

Comunicação. A estratégia da equipe de comunicação, que não deverá ter mudanças bruscas, é aumentar críticas a Dilma e PT gradativamente. Sairá momentaneamente a favela construída em estúdio - e criticada pelos aliados - para a entrada de um escritório onde Serra despacha. A camisa com mangas dobradas será substituída pela gravata. O novo cenário será exibido nos próximos dias e, ao poucos, as duas propostas serão alternadas no programa da TV.

Uma das áreas que podem apresentar mudanças é a internet. No fim de semana, Ravi Singh, um indiano que atuou na campanha vitoriosa de Juan Manuel Santos à Presidência da Colômbia, reuniu-se com integrantes da campanha tucana. Singh, da empresa Election Mall Tecnologies, fez uma proposta inicial ao PSDB, rejeitada pela sigla por enquanto. / COLABOROU ELDER OGLIARI

Reunião

O encontro entre o marqueteiro da campanha tucana, Luiz Gonzalez, e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que estava previsto para segunda-feira e foi adiado, deve ocorrer hoje

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