Carlos Rhienck/Jornal Hoje em Dia
Carlos Rhienck/Jornal Hoje em Dia

Tucanos cobram apoio sem ataques

Governadores do PSDB deixam de lado as acusações da campanha e assumem com promessas de diálogo com o governo federal

, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2011 | 00h00

Os governadores dos Estados controlados pela oposição tomaram posse ontem com um discurso parecido, pregando bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff, mas deixando claro que vão exigir atenção e verbas do governo federal.

O governador reeleito de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), foi além: cobrou a necessidade de austeridade nos gastos públicos do governo federal. Ele defendeu uma reforma da gestão pública do Estado brasileiro. "Não seremos capazes de fazer a travessia para o desenvolvimento sem ajustar com coragem os gastos com a máquina pública, reorientando sempre os recursos para os investimentos", disse em seu discurso de posse, na Assembleia Legislativa.

Anastasia disse que espera ter a melhor relação possível com a presidente Dilma Rousseff. "Ela é mineira, certamente fará um bom governo, terá muito respeito, tenho certeza, pela federação brasileira. O fato de sermos governadores da oposição - e somos muitos -, não significará, naturalmente, qualquer tipo de modificação da relação administrativa entre o governo federal e os governos estaduais, aliás como aconteceu com o presidente Lula e o governador Aécio."

Anastasia negou que tenha sido proposital o horário marcado para a posse, simultânea com a festividade em Brasília. "A posse nossa foi marcada muito antes para permitir em especial que os prefeitos das cidades mineiras, o Estado é muito grande", disse.

Paraná. O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), cobrou, em discurso de posse um bom tratamento por parte do governo federal. "Vejo um Paraná que quer ser bem tratado pelo governo federal porque nunca faltou quando foi solicitado e não faltará também no futuro", afirmou. Ele acentuou ter descido do palanque e prometeu governar para todos. "Não vejo mais vencedores ou vencidos" destacou, antes de seguir para Brasília, onde acompanhou a posse da presidente Dilma Rousseff.

Quem também se programou para estar presente à posse de Dilma foi o governador de Goiás, Marconi Perillo. Ao tomar posse ontem, o tucano fez um discurso crítico ao antecessor, Alcides Rodrigues (PP). "Nosso governo será ancorado no mérito. Acabou o tempo da prostração", disse, citando o escritor Bernardo Elis.

Pará. O tucano Simão Jatene criticou, ao assumir pela segunda vez o governo do Pará, a antecessora, a petista Ana Júlia Carepa, no discurso de posse. Ele disse que vai se esforçar para entregar ao sucessor um estado melhor do que recebeu.

Carepa não chegou a ficar cinco minutos no palanque montado em frente ao palácio Lauro Sodré, antiga sede do governo estadual e hoje transformado em museu. Ela foi recebida com vaias pela multidão, mas Jatene interveio, puxando os aplausos.

Alagoas. O governador reeleito Teotônio Vilela Filho (PSDB) assumiu seu segundo mandato no governo de Alagoas prometendo avançar nas ações rumo ao desenvolvimento, para ampliar a oferta de emprego e melhorar a renda dos alagoanos.

Vilela disse que vai torcer pelo sucesso do governo Dilma: "Estou torcendo muito por ela, apesar de sido um eleitor do José Serra", afirmou. "Espero que a presidente Dilma seja como o governo Lula foi para Alagoas, que aja de forma republicana com todos os Estados, mas dê prioridade aos mais pobres."

Na missa de Ação de Graças, na véspera da posse, Vilela prometeu dias melhores aos alagoanos nos próximos quatro anos. O tucano foi reeleito em segundo turno, superando nessa disputa o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT).

Em seu discurso de posse, o governador reeleito de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), deu ênfase à união para "uma gestão sólida", deixando de lado as questões partidárias. O tucano assumiu o cargo sob acusações de suposta compra de votos na eleição. "Nossa aliança é com o povo de Roraima." Após a solenidade, ele embarcou para a posse de Dilma. / EDUARDO KATTAH, EVANDRO FADEL, RICARDO RODRIGUES, CARLOS MENDES, LOIDE GOMES E RUBENS NAVES, ESPECIAIS PARA O ESTADO

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