Tucanos discutem maneiras de usar episódio

Para aliados de Serra, caso pode alavancá-lo ao 2º turno, mas é preciso acertar o tom das críticas

Julia Duailibi, Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

A menos de 20 dias do primeiro turno, aliados do candidato do PSDB, José Serra, pressionam a campanha para um "tudo ou nada". Em reunião prevista para ontem à noite com a cúpula da campanha, tucanos pediriam a Serra para liderar a ação política no caso Erenice Guerra, levando pessoalmente pedido de investigação à Procuradoria-Geral da República em Brasília.

Para essa ala, formada basicamente por tucanos e políticos de partidos coligados, o episódio tem potencial para empurrar a disputa para um segundo turno, se bem usado pela campanha - a avaliação interna é de que Serra precisa crescer um ponto porcentual por semana.

O diagnóstico da ala política destoa da avaliação feita pelo marketing. Apesar de a área de comunicação avaliar que quanto mais Serra bater, mais pode perder espaço, a tendência ontem era que os marqueteiros cedessem e levassem o caso Erenice mais uma vez para a televisão.

O debate realizado na noite de anteontem na Rede TV! era usado internamente como exemplo para resistir aos ataques. No embate com Dilma, o tucano elevou o tom e criticou diretamente a petista por envolvimento no episódio da quebra de sigilo fiscal de seus familiares. O ataque não foi bem visto pelos eleitores reunidos nos grupos de monitoramente montados pela campanha do PSDB.

Até a área política da campanha, que se contrapõe ao marketing pedindo uma ação mais agressiva, diz que Serra tinha de ser crítico, mas sem ser agressivo nem demonstrar impaciência com o desempenho nas pesquisas de intenção de voto.

"Marqueteiros em geral são contra isso. Mas precisam entender que campanha é política, não é venda de sabonete ou de simpatia", defendeu o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA).

Segundo ele, a discussão em torno da ministra-chefe da Casa Civil, ex-braço direito de Dilma Rousseff, tem de estar no centro do debate. "Isso é o tema. Isso é o PT e é o governo Lula. Trata-se do esquema operacional deles."

Por enquanto, sem saber se Serra acatará essa "cruzada", o contra-ataque ficará a cargo das lideranças no Congresso. A ideia é que Almeida e o vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), protocolem hoje pedido de investigação do caso Erenice.

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