Tucanos e aliados preparam ofensiva judicial

PSDB vai entrar com ação no TSE por abuso de poder político de agentes públicos em favor [br]da campanha de Dilma

Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

A violação de sigilo de quatro pessoas ligadas ao candidato tucano à Presidência, José Serra, desencadeou uma ofensiva judicial do PSDB e aliados. Enquanto o PSDB decidiu entrar com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), líderes da oposição foram à Procuradoria-Geral da República.

Para ingressar com representação no TSE, o PSDB alega abuso de poder político de agentes públicos a favor da campanha da adversária Dilma Rousseff (PT). "Seria muita ingenuidade considerar que não houve motivação eleitoral", afirmou o advogado do PSDB, Ricardo Penteado, ao classificar o caso como "gravíssimo".

Na outra ponta, líderes da oposição estiveram à tarde na procuradoria, onde foram recebidos pelo subprocurador Eugênio Aragão, para pedir a instauração de inquérito para a apuração de crimes "comuns e eleitorais".

No documento, assinado por deputados de PSDB, DEM e PPS, os parlamentares pedem ainda a designação de um procurador da República para acompanhar as investigações junto à Receita.

"Trata-se de um crime gravíssimo e que mostra que há um lado partidário e também de crime organizado", afirmou o vice-líder do PSS, deputado Raul Jungmann (PE). "Tudo isso mostra que se você não está ao lado do governo está ao relento, encurralado e propenso a ter sua vida devassada."

Para o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA), a quebra de sigilo é crime contra a democracia. "É muito grave o aparelhamento de uma instituição pública que tem o dever de preservar o sigilo dos cidadãos", disse.

A ideia inicial dos líderes de oposição era ir ainda ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas eles não foram recebidos pelo presidente do tribunal, Cezar Peluso. Na Procuradoria-Geral da República, eles também não foram recebidos pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que estava ontem em Florianópolis.

Peluso participou da sessão plenária de julgamentos do STF. De acordo com a assessoria de imprensa do tribunal, os deputados pediram para se encontrar com Peluso, mas o presidente do STF não deu resposta. Segundo a assessoria, Peluso não iria recebê-los porque não tinha espaço em sua agenda. / COLABOROU MARIÂNGELA GALLUCCI

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