Tucanos escalam economista de Serra para defender R$ 600

Geraldo Biasoto ajudou a formular a proposta de elevar o salário mínimo, apresentada durante a[br]campanha pelo tucano

André Mascarenhas e Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 00h00

O PSDB convocou um dos principais consultores econômicos do ex-governador José Serra, o economista Geraldo Biasoto Junior, para expor no plenário da Câmara a viabilidade do salário mínimo de R$ 600, promessa feita por Serra no período eleitoral. A bancada do PSDB vai apresentar emenda, na votação de amanhã, propondo esse valor.

O objetivo do partido é mostrar argumentos de que o mínimo maior não afetará as contas da União se forem feitos ajustes nos gastos do governo. O foco da apresentação deve ser o aumento das despesas do governo entre 2008 e 2010. Nela, o economista vai defender a necessidade de redução das despesas aos níveis de 2009, apontando o que dá para cortar.

Diretor executivo da Fundação do Desenvolvimento Administrativo de São Paulo (Fundap), Biasoto colaborou com o candidato derrotado do PSDB na disputa pela Presidência e foi um dos autores da proposta de R$ 600 para o mínimo.

Pela análise do economista, o governo central gasta demais com programas de pequena abrangência, transferências de recursos para entidades não governamentais, políticas anticíclicas que já poderiam ter sido abandonadas, entre outros.

Na lista de exemplos de Biasoto devem constar programas dos ministérios de Esporte e Cultura de baixa execução orçamentária. Em alguns casos, o total de recursos executados não passa de 20%, segundo o estudo..

O economista fará sua apresentação na sessão extraordinária de hoje, que funcionará como comissão geral para debater o mínimo. O encontro convocado pelos líderes partidários acontece na véspera da votação, marcada para amanhã. Também participará do debate o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

Emenda. O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), disse ontem que o partido vai apresentar amanhã emenda propondo o reajuste para R$ 600. O tucano, contudo, admitiu a dificuldade de a proposta ter sucesso na votação. Após um encontro com o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), Nogueira falou em "coerência" e afirmou que espera que a bancada tucana adote um posicionamento único sobre o tema,

A legenda e seus aliados se dividem entre posições já manifestadas pelo senador Aécio Neves e por José Serra. O tucano mineiro acha que é possível e que há espaço para um reajuste maior do que o valor de R$ 545 proposto pelo governo, mas não encampa o valor de R$ 600.

"Nós na campanha eleitoral apontamos que o salário mínimo de R$ 600 era possível. Entendemos nesse momento, com os argumentos técnicos, sem desequilíbrio do Orçamento da União, de que há uma margem, por subestimativa da receita da Previdência, de poder dar o salário mínimo de R$ 600", afirmou o líder tucano.

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