''Tucanos não têm competência'', diz Lula

Ao lado de Palocci e Mercadante, presidente sobe o tom durante comício em Ribeirão Preto e afirma que ''o século 21 merece coisa melhor''

Gustavo Porto e Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas aos governos tucanos durante comício ontem em Ribeirão Preto (SP) e centralizou seus ataques aos processos de privatização paulista e federal.

Acompanhado de seu ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e do candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, Lula defendeu a petista Dilma Rousseff como sua sucessora e a chamou de "heroína".

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 8 mil pessoas acompanharam o evento na esplanada do Theatro Pedro 2.º, região central da cidade.

Sem citar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nem os governadores do PSDB, há 16 anos à frente do governo paulista, Lula disse que "eles demonstram que não têm competência de governar, porque a única coisa que aprenderam a fazer foi vender o que não era deles; bem público, estradas, ferrovias". "Quando eu entrei, em 2003, eles queriam vender a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa."

Ao lado de Mercadante, Lula subiu o tom dos ataques ao afirmar que "São Paulo não pode ficar na mão de tucano a vida inteira. O século 21 merece coisa melhor, merece mais arrojo, por isso a gente não tem que vacilar", disse, referindo-se aos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra, adversários de Mercadante e Dilma, respectivamente, e ex-governadores de São Paulo.

Lula lembrou ainda que durante o seu governo o Brasil deixou de ser devedor e passou a ser credor do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Essa gente que era metida a sabida ficava de quatro para o FMI. Quem mandou o FMI embora fomos nós. Hoje eles nos devem US$ 14 bilhões."

Para justificar o elogio a Dilma, o presidente citou o período em que a candidata foi presa e torturada na época da ditadura militar. "Sei o que aquela mulher sofreu, porque foi presa, torturada. Não porque ela era bandida, ela era uma heroína que lutava pela democracia e liberdade."

Dirigindo-se ao público, Lula defendeu ainda a candidatura de Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PC do B) ao Senado por São Paulo e lembrou da oposição que enfrentou durante seu governo. "Não podemos deixar a Dilma na mão de senadores como eu fiquei."

Lula seguiu ainda o discurso de Mercadante e atacou, com ironia, o custo dos pedágios em São Paulo, cujas rodovias foram privatizadas durante os governos do PSDB. "Eles têm de explicar como pode o pedágio custar R$ 46 daqui a São Paulo e de São Paulo a Belo Horizonte (cujas rodovias são federais) R$ 7,70. Daqui a pouco o motorista vai ter de pagar o ar que respira."

Gabriel, o neto de Dilma que nasceu ontem e impediu sua ida ao comício, foi citado em vários discursos e tratado como novo cabo eleitoral da candidata, rebatizada de avó do PAC

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