Tucanos se previnem contra Mercadante

Membros do PSDB esperam ascensão do petista, que usa Lula no horário eleitoral

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

Agenda. O candidato Geraldo Alckmin participa, em São Paulo, de evento para estimular a prática esportiva na terceira idade          

 

 

 

 

 

Tucanos ligados à campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) passaram a admitir, reservadamente, um possível crescimento do petista Aloizio Mercadante nas pesquisas, o que aumentaria a probabilidade de segundo turno na disputa pelo governo de São Paulo.

Nos programas de rádio e TV, o PT tem se utilizado de mensagens do presidente Lula para alavancar a candidatura de Mercadante. Nas ruas, com agenda turbinada no Estado, Lula pediu a criação de "fatos políticos" para que o petista cresça e vá para o segundo turno.

Oficialmente, os tucanos têm afirmado que as incursões de Lula na propaganda eleitoral de Mercadante são "o retrato da falta de discurso e de propostas" do candidato do PT. E que o presidente tenta passar uma "senha" ao propor, em eventos públicos, a criação de "fatos políticos".

"Quando Lula diz isso, ele está dando senha para os aloprados de São Paulo produzirem dossiês", acusou o deputado José Aníbal (PSDB), coordenador do programa de governo de Alckmin, em referência ao escândalo que abateu a campanha petista em 2006.

Contudo, apesar de minimizar a movimentação petista, o clima no partido, segundo outro tucano, é de cautela. Em avaliações internas, o patamar de votos de Alckmin pode até se manter, mas a probabilidade de crescimento de Mercadante é considerada alta.

"Nós trabalhamos com a hipótese de que o PT tem um porcentual no Estado de São Paulo maior do que aquele que vem sendo apresentado pelo Mercadante", observou o presidente do PSDB paulista, deputado Mendes Thame.

Na última sondagem do Instituto Datafolha, divulgada no dia 21 de agosto, Alckmin apareceu com 54% da preferência do eleitorado, contra 16% de Mercadante. A manutenção desses porcentuais, considerada difícil, garantiria ao tucano vitória ainda no primeiro turno. "O fato é que a gente não analisa a pesquisa no momento, mas dentro de um contexto histórico. Isso não significa, no entanto, que ele (Mercadante) tenha chances", avaliou o dirigente tucano.

Contra-ataque. No front eleitoral, há preocupação com alguns pontos específicos da campanha alckmista para barrar o avanço do PT em São Paulo.

Candidatos a deputado pelo PSDB no Estado dizem estar com suas campanhas atrasadas e priorizam fixar seus nomes antes dos de Alckmin e do presidenciável José Serra.

Em contrapartida, o PSDB paulista produziu recentemente 3 mil DVDs com trechos de discursos de "estrelas" tucanas para municiar candidatos e filiados.

Além de Alckmin e Serra, participam das gravações o candidato ao Senado em Minas, Aécio Neves, e o presidente nacional da legenda e coordenador da campanha presidencial, senador Sérgio Guerra.

A iniciativa pretende alicerçar a argumentação da militância e gerar um efeito multiplicador. "Não é uma consolidação das propostas, mas sim trechos que em seu somatório dão uma ideia daquilo a que se propõe o PSDB", disse Mendes Thame.

Além disso, o PSDB de São Paulo aposta alto no evento com prefeitos, no próximo dia 1.º de setembro, na capital, para marcar posição. Serra estará presente, ao lado de Alckmin e dos candidatos ao Senado Orestes Quércia (PMDB) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

Sidney Beraldo, deputado estadual e coordenador da campanha de Alckmin, disse que fará o que for necessário para trazer "pelo menos" 300 prefeitos para o encontro - o que considera uma "infantaria". "Se precisar pagar, nós pagamos (o transporte)", afirmou.

Beraldo negou que a organização do evento tenha relação com a queda de Serra nas pesquisas. E afirmou que não há mudança em vista para a estratégia tucana no Estado. "Estamos seguindo o que foi determinado", disse.

Nas ruas. Ontem, em clima pós-debate Estadão/TV Gazeta, Mercadante foi ao Vale do Paraíba, região de forte influência política de Alckmin, para fazer campanha. Fez em corpo a corpo em Taubaté e Pindamonhangaba, cidade natal do tucano.

O petista declarou que pretende buscar o apoio dos demais candidatos, caso vá ao segundo turno. "De certa forma todos os que saíram candidatos são contra o PSDB no governo de São Paulo. Vamos fazer uma ampla frente para vencer as eleições."

Geraldo Alckmin, por sua vez, teve agenda em evento fechado na capital paulista com entidades ligadas ao esporte. Hoje, vai para o corpo a corpo em Cubatão e Bauru. / COLABOROU JOÃO CARLOS DE FARIA, ESPECIAL PARA O ESTADO

Desempenho

MENDES THAME PRESIDENTE DO PSDB-SP

"Nós trabalhamos com a hipótese de que o PT tem um porcentual no Estado de

São Paulo maior do que aquele que vem sendo apresentado pelo Mercadante"

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