Edu Andrade
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Tucanos sondaram financiadores sobre Paulo Preto

Dirigentes admitem que, em agosto, checaram e não confirmaram denúncia de que ex-diretor da Dersa teria desviado doações para campanha de Serra

Julia Duailibi, Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2010 | 00h00

Um dia após o presidenciável do PSDB, José Serra, ter saído em defesa do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, dirigentes tucanos afirmaram ontem que o partido fez uma sondagem com colaboradores financeiros da campanha a fim de saber se houve desvio de recursos doados.

Segundo reportagem da revista IstoÉ, em agosto, o engenheiro da Dersa foi acusado de ter arrecadado e desviado R$ 4 milhões da campanha de Serra. A informação foi citada pela candidata do PT, Dilma Rousseff, em debate na Band no domingo.

"Paulo Souza nunca foi visto por mim nem por nenhum de nós no trabalho de organização financeira da campanha. Ele nunca participou de nada que tivesse a ver com a campanha", afirmou o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE).

De acordo com o tucano, assim que a reportagem da IstoÉ foi publicada, integrantes da área de arrecadação teriam entrado em contato com empresários para questioná-los sobre eventual abordagem de Souza, conhecido como Paulo Preto - o ex-diretor da Dersa foi um dos responsáveis pela execução do Rodoanel, obra de mais de R$ 5 bilhões. "Procurei conversar com vários contribuintes da campanha. Nenhum deles revelou qualquer abordagem de nenhum tipo de outras pessoas que não fossem do comitê financeiro", afirmou Guerra.

O presidente do PSDB acusou o PT de "safadeza" e de articular uma "manobra vagabunda" para encobrir o escândalo de tráfico de influência na Casa Civil. "Esse caso, para nós, está encerrado. O que a gente quer saber é onde está Erenice (Guerra, ex-ministra da Casa Civil) e como está a relação dela com Dilma", disse.

Investigação. No PT, o caso é visto como oportunidade de ofensiva ao discurso de Serra sobre ética e corrupção no governo federal. A bancada do partido na Assembleia Legislativa requereu ontem à Procuradoria-Geral de Justiça investigação sobre Paulo Souza. O documento de 26 páginas foi subscrito por 32 deputados, dos quais 12 eleitos dia 3.

Souza ocupou os cargos de diretor de relações institucionais e de engenharia da Dersa. Foi responsável pela medição de obras de grande porte e pagamentos às empreiteiras contratadas para construir o trecho sul do Rodoanel, a Avenida Jacu Pêssego e a reforma da Marginal do Tietê.

Ele é citado na Operação Castelo de Areia, investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema de propinas em obras públicas. A PF examinou manuscritos apreendidos na casa de um executivo de empreiteira que indicam supostos pagamentos a Souza - quatro valores mensais de R$ 416,5 mil, o primeiro de 20 de dezembro de 2007.

"Os valores estariam relacionados à obra do Rodoanel e teria sido "acordado com a Dersa" ", diz o relatório da PF. "Ao lado do nome da estatal figura a expressão "Paulo Souza", identificado como sendo possivelmente Paulo Vieira de Souza, diretor da Dersa." A Castelo de Areia foi suspensa em janeiro por ordem do ministro César Asfor Rocha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na representação ao Ministério Público, o PT aponta "possível favorecimento" da filha de Souza, a advogada Priscila Arana de Souza Zahran, que trabalha para um escritório que defende, perante o Tribunal de Contas do Estado, as construtoras que seu pai contratou quando dirigente da Dersa. Foi Priscila, segundo petistas, quem emprestou, em 2007, R$ 300 mil ao senador eleito Aloysio Nunes Ferreira, então secretário da Casa Civil de Serra, para a compra de apartamento em Higienópolis.

O advogado José Luís Oliveira Lima, que defende Souza, rechaçou a informação de que o escritório de advocacia para o qual Priscila trabalha tenha atuado em favor da Dersa. O criminalista disse desconhecer investigação no Ministério Público Estadual contra seu cliente. Salientou que o inquérito da Castelo de Areia está sob análise do STJ. "Nunca o chamaram para prestar depoimento", anotou o Lima. A Dersa não se manifestou. / COLABOROU FAUSTO MACEDO

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