Tucanos tentam barrar anúncio de delegados

Associação da classe recebe notificação judicial para suspender campanha que denuncia condições de trabalho e salários

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

A Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo (Adpesp) recebeu, na última sexta-feira, notificação judicial para suspender a veiculação no Estado de uma campanha publicitária de protesto às condições de trabalho e salariais da categoria.

Segundo informações da Adpesp, o mandado de suspensão teria sido impetrado pelo PSDB estadual, sob a alegação de que a campanha é uma propaganda eleitoral negativa. Procurado pelo Estado, o PSDB-SP não se pronunciou sobre o assunto.

A assessoria de imprensa do candidato do PSDB ao governo, Geraldo Alckmin, informou que se tratava de uma ação partidária e não da campanha.

O tema segurança pública é considerado prioridade para todos os candidatos ao governo de São Paulo e também à Presidência. O candidato do PSDB, José Serra, já anunciou inclusive a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública, se eleito.

Em informe divulgado à imprensa ontem, a Adpesp critica declaração de Serra, na última sexta-feira, em que considera "bobagem" o argumento da entidade sindical sobre o fato de os salários da categoria no Estado serem os piores do país.

A presidente da Adpesp, Marilda Pansonato Pinheiro, nega qualquer intenção político-partidária na campanha publicitária institucional veiculada entre os dias 29 de julho e 1º de agosto. Segundo a associação, a campanha veiculada em mídia eletrônica e na internet teria atingido cerca de 49% do Estado, especialmente nos municípios do interior. Está prevista uma terceira fase da campanha, que seria veiculada exatamente no mês de setembro, às vésperas da eleição.

"A campanha foi feita para conscientizarmos a sociedade sobre a situação da segurança pública no Estado", afirma Marilda Pinheiro. A presidente da associação afirma que há cerca de 3.200 delegados civis no Estado responsáveis por atender uma população de 42 milhões de pessoas. "Fizemos um acordo com o governo Serra que não foi cumprido", diz a presidente.

A assessoria de imprensa do candidato José Serra também não respondeu às perguntas enviadas pelo Estado por e-mail.

Outro lado. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, por intermédio de sua assessoria de imprensa, contestou os dados da associação. Segundo a assessoria, o piso salarial é de R$ 5.810,30 para os delegados que atuam em cidades com mais de 500 mil habitantes, mas o salário de um delegado de Classe Especial, o topo da carreira, chega a R$ 12.600 (bruto). A Secretaria informa, ainda, que no Estado há isonomia salarial entre todas as polícias e que São Paulo é reconhecido nacionalmente pela drástica redução dos índices de homicídio - 10,9 homicídios para cada 100 mil habitantes, a segunda melhor colocação no ranking nacional em 2008.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, a incorporação do ALE (Adicional por Local de Exercício) aos salários foi um acordo com o atual governo e uma conquista da categoria.

Segundo dados oficiais, o orçamento de 2010 da Secretaria de Segurança Pública do Estado é de R$ 11,2 bilhões. O pagamento de pessoal consome R$ 9,4 bilhões deste montante. Na última década, segundo a Secretaria, o gasto com pessoal superou em 35% o aumento da inflação do período. Para o atual governo, o tema segurança deve ser analisado a partir de uma perspectiva macro, que leva em conta resultados positivos da política pública implementada no Estado.

A Adpesp não se convence com os argumentos do governo estadual. "A incorporação do adicional será feita ao longo de cinco anos. Nós recebemos o pior salário do país", informa a presidente da associação.

"Somos apartidários e a nossa política é institucional. Eu não sou filiada a nenhum partido, nunca fui. Tentaram tirar nossa campanha do ar antes e não tiveram sucesso", continuou Marilda Pinheiro. A Adpesp informou que seu departamento jurídico já prepara recurso para derrubar a suspensão da campanha.

Tema de campanha

No debate da TV Bandeirantes na semana passada, o candidato Celso Russomanno (PP) criticou a gestão tucana na segurança e defendeu melhores salários para os delegados.

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