Tucanos vão às ruas buscar voto de indecisos

Ao lado de Alckmin, Serra falou com a certeza de que amanhã estará de novo em campanha para o segundo turno

Fausto Macedo e Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2010 | 00h00

A poucas horas do primeiro turno da eleição presidencial, o candidato do PSDB, José Serra, disse ser "bom para o Brasil" um segundo turno. "Amanhã (hoje), político já sai fora. O dono do Brasil é o eleitor. Se Deus quiser vamos ter segundo turno. Será bom para o Brasil porque poderemos aprofundar o conhecimento em relação aos mais votados e suas propostas para o País."

Serra disse que não o preocupa mais 30 dias de jornada, caso a eleição tenha mais uma rodada. "Para mim, tranquilo. Podem ver minha energia e meu pique. Isso continua indefinidamente. Mesmo depois da eleição. Para mim, campanha é uma coisa prazerosa, como governar também é. Porque estou em contato com as pessoas, eu ouço, recebo olhares, abraços, eu aprendo o tempo inteiro. Meu segredo é esse."

O tucano não quis comentar o que seus antagonistas andam fazendo e falando. Sobre Lula ter atribuído autoritarismo à imprensa, afirmou: "Hoje eu acordei com a seguinte determinação: não vou comentar comentário de ninguém, exceto se for a meu favor." Sobre a festa que o PT já organiza em Brasília, dando como certa a vitória de Dilma Rousseff: "Cada um sabe do que faz."

Também não quis palpitar sobre o julgamento do Supremo Tribunal Federal que desobrigou o eleitor de exibir dois documentos na hora do voto.

Indagado se vai pedir apoio de Marina Silva (PV) no segundo turno, ele esquivou-se: "Vamos esperar para ver depois dos resultados, aí a gente conversa."

Fez planos para a Presidência. "Uma grande prioridade no plano federal é estimular e fazer mais ensino profissionalizante que significa mais escolas técnicas ou cursos mais curtos, via rápida. Às vezes você faz curso de três ou quatro meses para melhorar a qualificação. O Brasil precisa muito disso, um milhão de novas vagas no ensino técnico e mais um milhão de pessoas com treinamento profissional."

Ao falar sobre projetos para a região do Alto Tietê, se eleito, foi enfático. "Aqui a prioridade do governo federal será apoiar o governo do Estado, o governo do Alckmin para fazer o que é fundamental. Rodoanel Leste que vai ser uma revolução, melhorar ainda mais e investir mais nos trens de superfície que vão virando Metrô por sua qualidade, fazer um hospital regional. Mas precisa fazer mais."

Cadeirantes. Em caminhada pela Avenida Paulista, Serra afirmou continuar com "nervos de aço". A expressão havia sido usada pelo tucano no ano passado, diante da pressão de seu partido para se definir candidato, antes de deixar o governo paulista. "Aço não se decompõe. Aço é inoxidável", declarou o presidenciável ontem à tarde. Acompanhado do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, Serra voltou a dizer que o País "não tem dono".

"O Brasil não tem cor vermelha, verde ou azul. É multicolorido e não tem dono. Na verdade, a onda dessa eleição é a onda verde e amarela", disse o tucano, durante caminhada com cadeirantes. "Nosso povo quer construir um País mais justo e generoso. Este povo é que quer governo honesto e trabalhador. Esse povo quer um governo de todos."

Serra disse ter vivido momentos especiais na campanha. "Daqui a 20 ou 30 anos, quando eu escrever minhas memórias, talvez coloque lá", disse. Logo depois, foi questionado por uma mulher, que disse ter uma filha que trabalhará nas eleições no consulado brasileiro de Miami. "Peça para ela ficar de olho lá", brincou o tucano.

À tarde, encerrou a campanha em Diadema, reduto histórico do PT. Em mais uma caminhada, ouviu cobranças de eleitor por ter deixado o governo do Estado para concorrer ao Planalto. "O Brasil precisa dele", disse o candidato a deputado José Augusto.

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