Prefeitura de Saudades
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Tudo que quero é meu bebê de volta em casa, diz pai de criança atacada em creche de SC

Bebê apresentou melhora no quadro e autor do ataque também segue internado. Jovem chegou a quebrar vidros para entrar em mais salas da unidade da cidade de Saudades

Luis Lopes e Giba Bortese, Especiais para o Estadão

06 de maio de 2021 | 05h00

O jovem autor do ataque a funcionários e crianças da creche Pró-Infância Aquarela, em Saudades (SC), e um dos bebês atacados por ele seguem internados em hospitais da região. “Tudo que eu quero é ter o meu bebê de volta em casa”, disse Diego Hubler, de 31 anos, pai da criança ferida, que teve melhora no quadro. 

“Lamento muito pelos outros pais que não têm nem ao menos a esperança de poder segurar seu filho no colo como eu tenho", acrescentou Hubler, que trabalha em uma empresa de calçados e tem uma outra filha mais velha. Duas funcionárias e três crianças morreram durante o ataque do jovem Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, à instituição no oeste do Estado. 

Ele, que se feriu após as agressões, está sedado e segue internado em uma UTI  do Hospital Regional do Oeste em recuperação após uma cirurgia. Segundo apuração do Estadão, não consta no inquérito qualquer evidência que pudesse indicar histórico de violência de Mai até o momento. Natural de Saudades, o agressor tem ficha criminal limpa, sem antecedentes ou registro de ato infracional.

"Eu estava em casa e escutei fortes gritos de socorro. Vi minhas colegas saindo por um outro portão da escola desesperadas, pedindo ajuda". O relato é da agente educativa da creche, Aline Biazebetti.

Aline trabalha apenas na parte da tarde, mas nesta terça-feira, 4, ela precisou ajudar as colegas de trabalho em uma situação que jamais pensava que iria passar. "As meninas me trouxeram uma das crianças que estava com ferimentos no pescoço e eu a peguei no meu colo e levei para o hospital. Ela estava perdendo muito sangue, estava bastante machucada. Ele (Fabiano) tentou entrar em outras salas, inclusive quebrou vidros, mas felizmente não conseguiu entrar. Na sala dos bebês, as minhas colegas seguraram a porta e não deixaram ele entrar também", relembra Aline.

Outros vizinhos da escola também escutaram a gritaria e pedidos de socorro quando perceberam que a situação estava diferente. Um dos vizinhos contou que quando chegou ao local, encontrou o agressor ainda com a arma do crime na mão. "Ele dizia que queria morrer. Ele estava se auto ferindo com o facão na região da barriga e depois no pescoço", disse o homem, que não quis se identificar.

Um dos bombeiros disse que quando a guarnição chegou ao local, o criminoso já havia sido contido por populares. "Ele estava questionando o número de vítimas fatais que fez", disse o bombeiro. De acordo com Peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Chapecó, a arma utilizada foi uma Espada Samurai, com aproximadamente 40 centímetros de lâmina. Peritos disseram ainda que as vítimas possuíam pelo menos cinco ferimentos cada.

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