''Tudo que se avistou no oceano foi investigado'', afirma capitão

Corveta Caboclo traz ao Porto do Recife mais 133 peças do Airbus para análise do BEA

, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Armário da copa, gavetas, uma poltrona azul, portas de bagageiros, pedaços da fuselagem, máscaras de oxigênio, maleta de plástico amarela e roupas estão entre as 133 peças do Airbus da Air France desembarcadas na manhã de ontem, no Porto do Recife, pela Corveta Caboclo, da Marinha brasileira. Nos 18 dias em que participou da operação de buscas, a Caboclo resgatou 9 dos 50 corpos encontrados até o momento, incluindo os cinco primeiros, no dia seis, e o último, no dia 16. Seu comandante, o capitão de corveta Alexandre Taumaturgo Pavoni, avaliou a missão ontem como "árdua e difícil pelo caráter humanitário e pela carga emocional envolvida".Os cinco primeiros dias de buscas, segundo ele, foram os mais difíceis. Nada era encontrado, a não ser lixo marítimo, a exemplo de pequenos pedaços de isopor e garrafinhas de água mineral. "Era muito frustrante", afirmou, ao destacar a ansiedade e angústia da tripulação, com 51 homens.Os dois primeiros corpos apareceram logo depois do resgate dos primeiros destroços, no dia 6. À noite, outros três foram recolhidos. "Sem dúvida, todos os resgates de corpos tiveram uma carga emocional muito grande", afirmou Pavoni, que se disse orgulhoso de fazer parte da Marinha, "por poder amenizar de alguma maneira o sofrimento das famílias". Com dois mergulhadores e um nadador de salvamento, o comandante determinou que quatro homens - e não apenas um, como de praxe - permanecessem de vigia, com binóculo, no convés mais alto da embarcação, chamado de tijupá. A orientação era para investigar qualquer objeto estranho avistado - não queria trabalhar com dúvidas, não queria arriscar deixar passar algo que pudesse ter importância. "Tudo que se avistou no oceano foi investigado. O primeiro corpo, a princípio, foi tido como um objeto", exemplificou.Os corpos recolhidos pela Caboclo passavam pelos primeiros cuidados de um médico da corveta e imediatamente eram transferidos para navios maiores, com capacidade de armazená-los de forma mais adequada. Sobre os corpos, o comandante limitou-se a dizer que "não estavam atrelados a nada" (poltronas ou cintos de segurança). A corveta tem base em Salvador (BA) e se encontrava em Maceió (AL), quando recebeu a ordem de se integrar às buscas. Ontem, foi reabastecida, recebeu gêneros alimentícios e água potável. Não havia orientação para retorno à região de buscas. Todo o material trazido ontem foi inventariado e entregue ao Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil Francesa (BEA). Foi o segundo mais expressivo lote de destroços desembarcado no porto. No primeiro, no dia 12, a Fragata Constituição trouxe a maior peça resgatada do avião, o estabilizador vertical.

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