Tumulto marca recolhimento de menores no Rio

O terceiro dia de operação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), que recolheu, nesta quinta-feira, mais de 30 menores das ruas do centro, foi marcado por brigas, quebra-quebra e fuga de crianças e adolescentes.O tumulto começou em uma das salas do centro de triagem da SMDS que funciona no Sambódromo, de onde os menores, que passam o dia cheirando cola e praticando pequenos furtos, seriam encaminhados para suas famílias ou para abrigos municipais.Móveis foram quebrados e um funcionário teve ferimentos leves na mão direita. Não havia policiais ou guardas municipais no centro de triagem na hora da confusão. Nos três dias, 76 crianças foram recolhidas. Integrante do Conselho Tutelar, Zoraia Jambeiro, criticou a operação da SMDS, que considerou ?malfeita? e ?desestruturada?.Para o juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude, Siro Darlan, as ações da Secretaria não têm consistência. ?É tudo uma grande peça teatral. Os menores são levados dos abrigos para casa, mas, às vezes, nem a família tem condições de ficar com a criança. É preciso que o governo dê sustentação também a essas famílias.?O coordenador da operação, Ricardo Alexandre de Paula, disse que pediu a permanência de policiais no local, mas não foi atendido. ?Tinha um efetivo da PM, mas eles foram embora. Deu nisso?, afirmou. O objetivo da operação é levar as crianças e adolescentes de 6 a 17 anos de volta para casa e, quando os familiares não são localizados, ficam em um dos 22 abrigos do município.?Esta é a parte mais difícil. Muitas vezes, os menores viveram situações de violência com os familiares?, disse a coordenadora de projetos sociais da Secretaria, Nadia Caetano. Para ela, quanto mais tempo a criança fica na rua, mais difícil é a volta para casa.Segundo Nadia, a Secretaria recolhe menores constantemente. ?Atuamos em dez áreas da cidade, mas, nesses últimos três dias, focamos no Centro e em bairros da zona sul, como Copacabana e Glória.? Ela afirma que todas as operações da Secretaria são acompanhadas por assistentes sociais e psicólogos.?Vejo o trabalho como positivo, apesar das dificuldades de reinserir o menor no convívio familiar que ele perdeu.? Nadia afirmou que as famílias dos menores recolhidos recebem auxílio, como cestas básicas, reuniões com os educadores para ajudar na educação do menor, vagas em escolas públicas e até ajuda financeira.?A dificuldade é reintroduzir regras e valores que foram deixados quando a criança foi para a rua, por isso devemos acompanhar os familiares também?, disse ela. Segundo a coordenadora, 1.752 menores vivem hoje nos abrigos do município.

Agencia Estado,

01 de agosto de 2002 | 19h46

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