Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Tumulto suspende audiência para discutir políticas contra estupro no Piauí

Comissão da Câmara dos Deputados foi ao Estado, mas teve de mudar local de reunião após manifestação na Assembleia

O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2016 | 22h34

TERESINA - Uma audiência pública com a Comissão Externa de Combate ao Estupro, da Câmara Federal, no plenário da Assembleia Legislativa do Piauí, foi inviabilizada por manifestantes contra Temer e a favor da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). A audiência foi privada, na sala da presidência da Alepi, depois que as deputadas federais Soraya Santos (PMDB/RJ) e Iracema Portella (PP/PI) foram hostilizadas pelas manifestantes. Elas foram chamadas de golpistas, fascistas e machistas, porque teriam votado a favor do impeachment de Dilma.

Um grupo de mulheres portando cartazes como Fora Globo, Fora Temer, Golpistas não passarão invadiram as galerias do plenário protestando contra a comissão. “Há três anos eles estiveram aqui, apresentamos um relatório e até agora nunca houve uma respostas. Querem apenas usar o caso da violência contra a mulher e o Estado do Piauí como trampolim político”, reclamou Maria Lúcia Oliveira, da União das Mulheres Piauienses.

Josefa Francisca Lima, outra manifestante, do Movimento Luta por Moradia e da Frente Brasil Popular, gritava contra a comissão, que ainda tinha os deputados Celso Jacob (PMDB/RJ) e Silas Freire (PR/PI), que foi o propositor da discussão. “São petistas com cargos comissionado no Estado que estão protestando”, adiantou Silas.

A representante do Coletivo de Juristas do Piauí em Defesa de Democracia, Ana Lucia Gonçalves, disse que o ato era para denunciar que a audiência pública excluiu os movimentos sociais, que trabalham em defesa das mulheres, além dos órgãos municipais  e estaduais que trabalham com políticas públicas voltadas para as mulheres. 

"Estamos denunciado a deputada Soraya que votou a favor do estupro contra a democracia. O impeachment foi uma violência com a presidente Dilma, que foi legitimamente eleita. Essa audiência é uma farsa", disse Ana Lúcia.

Com os gritos focados a Soraya Santos e Iracema Portella, elas propuseram transferir o local da audiência. "Vamos levar a contribuição do Piauí para Brasília, mesmo que tenhamos que nos reunir em outro local", disse Soraya. Já estressada com o protesto, Iracema reagiu aos gritos de Fora Iracema!: “Não saio, meu mandato é legítimo”, disse a deputada.  

Com isso, a audiência aconteceu a portas fechadas na sala da presidente da Assembleia Legislativa. Os manifestantes, com direito a um grupo que defendia a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ), que travou discussão com as manifestantes pró-Dilma, esperaram a comissão nos corredores da Alepi.

 

Estupro. A representante da União de Mulheres Piauienses (UMP), Maria Lucia Oliveira, reclamou que no ano passado foram registrados mais de 500 casos de estupros e abusos contra mulheres. “Isso é o oficial, porque muitas mulheres não procuraram a policia por medo ou vergonha. Por puro constrangimento”, frisou Maria Lúcia. Segundo dados da Secretaria de Segurança, foram 539 casos de estupros em 2015.

"Que os deputados não usem o Estado como palanque, e que deem resposta para essa violência, e ao relatório que foi feito há três anos", complementou a manifestante. 

No relatório é apontado que cerca de 70% das mulheres vitimas de estupro tem entre 5 e 19 anos. “Os números de violência sexual contra as mulheres estão crescendo assustadoramente”, disse a representante da UMP.

Em 2014 foram registrados 662 casos no Piauí, sendo que 347 desses casos envolvem jovens entre 10 e 19 anos. A presidente da comissão externa de combate ao estupro, a  deputada federal Soraya Santos (PMDB-RJ), falou dos motivos de criação da comissão e os seus objetivos que foram ampliados, após as várias ocorrências de estupro no país. “Uma mulher ser tratada como um objeto é um absurdo”, frisou.

A Comissão Externa da Câmara foi  criada para acompanhar as investigações de estupros, e estava em Teresina para conhecer as políticas públicas de combate à violência contra a mulher e saber sobre o andamento das investigações dos quatro casos de estupro coletivo ocorridos no estado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.