Túnel vistoriado por Lula em dezembro desaba

Passagem está sendo construída entre Ceará e Paraíba e faz parte do projeto de transposição do Rio São Francisco

Carmen Pompeu, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2011 | 00h00

Parte do túnel Cuncas I, passagem de 15 quilômetros de extensão entre os Estados do Ceará e da Paraíba que faz parte do projeto de transposição do Rio São Francisco, desabou há uma semana, mas a notícia só foi confirmada ontem pelo governo. Em dezembro, a obra foi uma das últimas visitadas por Luiz Inácio Lula da Silva antes de deixar a Presidência da República.

Operários que trabalham na perfuração levaram um susto quando parte do teto da obra ruiu. Ninguém se machucou. O túnel liga os municípios de Mauriti, no Ceará (a 491 km de Fortaleza), a São José de Piranhas, na Paraíba. De acordo com apuração no local feita pelo repórter Antônio Vicelmo, correspondente no Cariri do jornal cearense Diário do Nordeste, os construtores tentaram evitar que a notícia sobre o desabamento viesse à tona - por isso o intervalo de tempo entre o incidente e a divulgação do fato.

Segundo o jornalista Alex Gonçalves, do blog Radar Sertanejo, os fiscais não permitem o acesso de repórteres ao local do acidente, que permanece fechado. Dos 80 metros da passagem que foram construídos até agora, 50 acabaram ficando fechados após o desmoronamento.

Gonçalves contou que o acidente aconteceu por volta das 11h30 de quarta-feira da semana passada, véspera do feriado de Tiradentes e da Páscoa. Uma pedra de aproximadamente 18 toneladas caiu sobre uma escavadeira hidráulica L250, também chamada de jumbo, que era utilizada pelos operários na escavação do túnel.

Um funcionário afirmou que, quando a rocha desabou, os trabalhadores ouviram um barulho e saíram correndo de dentro do túnel.

Imprevisto. A assessoria de imprensa do Ministério da Integração Nacional divulgou ontem nota informando que "o deslizamento de solo na entrada do túnel Cuncas I, no lote 14 do Eixo Norte, localizado no município de Mauriti, do Projeto de Integração do Rio São Francisco, aconteceu devido à consistência não uniforme do solo encontrado naquele ponto".

A nota adverte que, nas escavações de túneis em solo, "podem ocorrer imprevistos geológicos que induzem a ruptura de teto, acarretando, assim, o desprendimento da terra". Nesses casos, ainda segundo a nota, geralmente é feito o preenchimento do solo da região afetada e, em seguida, retomada a escavação.

O ministério informou ainda que todas as atividades são monitoradas para garantir a segurança dos trabalhadores. "Ressaltamos, portanto, que não houve qualquer dano físico entre os trabalhadores", afirma o texto.

O consórcio de empreiteiras responsável pela execução do trecho suspendeu as atividades na entrada do túnel para novas análises. Outras duas frentes de serviços, no meio e na saída da passagem, estão funcionando Normalmente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.