Turbina do Fokker 100 será examinada por especialistas

A turbina do avião Fokker 100 da TAM - que no sábado à noite sofreu um acidente que deixou uma pessoa morta e três feridas - foi encaminhada nesta terça-feira a um laboratório da Rolls-Royce em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.Até o fim da tarde, a peça não havia chegado à oficina. Especialistas de seis empresas e órgãos oficiais que examinarão o equipamento poderão decidir-se pela necessidade de fazer exames especializados das condições do metal e das moléculas que compõem as peças.As informações foram dadas em São Paulo pelo comandante Ronaldo Jenkins de Lemos, coordenador da Comissão de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias e representante da entidade na comissão do Departamento de Aviação Civil (DAC) que investiga o acidente com o Fokker 100.No acidente, morreu a aposentada Marlene Aparecida Sebastião dos Santos, de 48 anos. Três janelas do avião foram quebradas por objetos que saíram da turbina direita do avião - eles podem ser as palhetas do motor, segundo constatação preliminar de investigadores da Aeronáutica.Um disco que contém um conjunto de palhetas foi destruído, e a vistoria da turbina tem o objetivo de descobrir a causa dos danos. Segundo Jenkins, a investigação pode exigir exames metalográficos (verificação de metais de peças em microscópio eletrônico para descobrir fraturas) e de granulometria (que podem mostrar possível corrosão em moléculas das peças).O tempo de demora da análise do motor varia e depende do grau de complexidade que for necessário para a elaboração do laudo técnico. "Pode ser uma coisa simples ou complexa, com várias peças sendo submetidas a exames de química, reação e granulometria", afirmou Jenkis.A inspeção técnica na turbina será feita por especialistas da Rolls-Royce, da TAM, do DAC, do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) de São José dos Campos e do Instituto de Fomento da Indústria (IFI).A turbina do Fokker 100, fabricada na sede da Rolls-Royce na Inglaterra, é do modelo Tay 650. De acordo com Jenkis, esse modelo de motor, encontrado entre as empresas nacionais do Brasil apenas nos modelos Fokker 100, é usado em outros tipos de aviões civis e militares em todo o mundo. "É um motor plenamente confiável."O avião acidentado permanece no Aeroporto Internacional de Confins, a 40 quilômetros de Belo Horizonte, onde, no dia do acidente, fez um pouso de emergência. O aparelho está guardado por militares da Aeronáutica.

Agencia Estado,

18 de setembro de 2001 | 20h35

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