Turistas baleados próximo ao morro do Turano

Confundidos com policiais, dois turistas eslovacos foram baleados com tiros de fuzil por traficantes da Favela 117, na zona norte do Rio, na noite de anteontem. Eles estavam voltando do Corcovado e pararam para fotografar a favela, na beira da Estrada do Sumaré, um dos acessos ao Cristo Redentor. Marian Sklemarick, de 34 anos, e Petre Sochos, de 40 anos, ambos gerentes comerciais de férias no Rio, tentaram visitar o principal cartão postal da cidade, mas como o monumento estava fechado decidiram fotografar a favela. O comandante geral da Polícia Militar, coronel Wilton Soares Ribeiro, disse que eles foram imprudentes. Os dois turistas estavam em um Fiat Marea preto, alugado. Mesmo feridos, eles conseguiram fugir até uma guarita da PM para pedir socorro.Sklemarick, que tirava as fotos da Estrada do Sumaré ? onde fica a residência oficial do arcebispo do Rio, dom Eugenio Sales ?, foi alvejado numa perna e numa mão e internado na clínica Casa de Portugal, que fica em frente à guarita. Sklemarick foi operado e não corre risco de vida. Sochos foi atingido no cotovelo, de raspão, e liberado do hospital pouco depois do incidente. O coronel Ribeiro determinou ontem inspeções em morros próximos do local onde os dois foram atingidos, mas insistiu em criticar a atitude dos turistas. ?Isso não se faz à noite numa área perigosa da cidade. Foi uma fatalidade?, afirmou.A área da Favela 117, que fica no Complexo do Turano, um dos mais violentos da cidade, teve o policiamento reforçado ontem de manhã. ?Vamos permanecer no morro para tentar identificar os autores dos disparos contra os turistas?, disse o comandante. Ontem, Sochos foi à Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista, no Leblon, e contou que não sabia do risco que corria ao tentar retratar o morro.Segundo a delegada Elizabeth Cayres, que ouviu Sochos, o turista já havia estado no Rio por quatro vezes e sabia que os morros são dominados por traficantes de drogas. ?O problema foi que ele achava que o risco só existia nas ruas de dentro do morro e pensava estar a salvo fotografando de uma rua principal?, afirmou a delegada. ?Mas garantiu que continua amando a cidade e que é possível que volte?, comentou.A única coisa que Sochos disse aos jornalistas ao sair da delegacia foi ?Alguém tentou me matar?. A delegada acredita que o fato de os turistas estarem num carro preto fez com que eles fossem confundidos com policiais à paisana. O veículo teve o vidro traseiro estilhaçado e diversas perfurações de balas na lataria. Os turistas estão hospedados no Hotel Everest, em Ipanema, desde o último dia 21 e tinham passagem de volta marcada para hoje. Antes do Rio, haviam ido a Belo Horizonte, a negócios.

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