Turistas inglesas são condenadas a serviços comunitários

Pena de 17 meses de cadeia foi convertida para a prestação de serviços comunitários em duas instituições

Clarissa Thomé, da Agência Estado,

19 Agosto 2009 | 18h37

As turistas inglesas Shanti Andrews e Rebecca Turner, ambas de 23 anos, foram condenadas a um ano e cinco meses de prisão pelos crimes de falsidade ideológica, falsa comunicação de crime e tentativa de estelionato. A pena, no entanto, foi convertida para a prestação de serviços comunitários em duas instituições, ainda não escolhidas.

 

A decisão é do juiz Flavio Itabaiana, da 27.ª Vara Criminal. Cada hora de trabalho comunitário corresponde a um dia de detenção. Se as jovens cumprirem a jornada de sete horas diárias de trabalho, quatro dias por semana, poderão deixar o país em oito meses e meio (tempo mínimo). Shanti e Rebecca foram condenadas ainda a pagar multa no valor de dois salários mínimos por dia, durante 13 dias - R$ 12.090.

 

Na sentença, o juiz escreveu que levou em conta "que a ré é uma turista estrangeira que estava viajando pelo mundo há nove meses, o que evidencia ter uma situação econômica privilegiada", para fixar a multa para cada uma das jovens.

 

O advogado Eduardo Tomini, que atua na defesa das britânicas, disse que não foi surpreendido pela condenação. "Mas esperava uma decisão mais benéfica", afirmou. A defesa ainda vai decidir se vai recorrer da sentença.

 

A estratégia da defesa foi fazer as inglesas confessarem a tentativa do golpe, com a intenção de terem a pena reduzida. Na segunda-feira, dia da audiência, Shanti e Rebecca contaram que tiveram um laptop furtado em 13 de julho, mas que incluíram outros objetos na queixa à polícia para receber a indenização do seguro da bagagem.

 

Elas contaram ainda que disseram aos policiais que o furto havia ocorrido dia 25, na véspera da ida à delegacia, para não levantarem a suspeita da seguradora. Para o advogado Lucas Martins Moreira, que também as defende, Shanti e Rebecca receberam a sentença "com alívio". "Elas tinham muito medo de voltar para a prisão".

 

Para o delegado Fernando Vila Pouca, titular da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo, a condenação das duas inglesas é educativa e pode ajudar a coibir novas tentativas de golpe. "Esse é um golpe que existe e é praticado principalmente pelos turistas mochileiros, estudantes, que se hospedam em albergue, e que querem ser ressarcidos com os custos da viagem. Espero que a notícia da condenação se espalhe", afirmou.

 

Vila Pouca está há dois meses à frente da Deat e esse é o segundo caso de "golpe da bagagem" descoberto. O primeiro envolvia duas inglesas e uma australiana. Como os objetos supostamente "furtados" não foram localizados, elas não foram denunciadas por estelionato, mas apenas por falsa comunicação de crime. O caso foi encaminhado para o Juizado Especial Criminal.

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