Fabio Motta/Agência Estado
Fabio Motta/Agência Estado

Turistas já negociam 10% dos imóveis do Rio

UPPs e grandes eventos ajudam a explicar aumento da procura de apartamentos de alto padrão

Márcia Vieira - O Estado de S. Paulo

31 de dezembro de 2011 | 23h00

RIO - O lugar é tão lindo que Donata Meirelles, diretora de estilo da Vogue, dispensou qualquer arroubo nos móveis. "Tem de ser tudo muito simples. A grande decoração é a vista que a gente tem", diz, encantada com o mar do Arpoador, aquela pontinha da Praia de Ipanema, no Rio, de onde se tem uma vista maravilhosa do Morro Dois Irmãos, no Leblon, e da Pedra da Gávea, em São Conrado.

 

Ela e o marido, o publicitário Nizan Guanaes, alugaram há seis meses o apartamento de Mônica Marinho, ex-mulher do empresário João Roberto Marinho, vice-presidente editorial das Organizações Globo. São 300 m² no 9.º andar de um prédio com varandas naquele pedaço da orla fechado a carros.

 

Os dois encabeçam a lista de paulistanos, mineiros, baianos e estrangeiros que incluíram o Rio na lista dos lugares onde é chique, muito chique, ter um pied-à-terre, como dizem os franceses para designar um cantinho fora da cidade onde moram. O casal vive em São Paulo, mas tem cobertura na Quinta Avenida, em Nova York, e apartamento no Quai D’Orsay, em Paris. "A gente queria muito estar no Rio."

 

"O Rio está na crista da onda", resume o paulistano Luigi Gaino Martins, que dirige no Rio a Lopes, maior grupo de intermediação e consultoria imobiliária da América Latina. Esses "forasteiros" já correspondem a 10% dos imóveis negociados na cidade. Em alguns lançamentos, como um residencial com serviços lançado pela RJZ Cyrela em Ipanema, eles correspondem a 35% dos compradores.

 

Razões. Tanto sucesso não é só porque a cidade vai ter Copa em 2014 e Olimpíada em 2016. "A pacificação de favelas com a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) foi a maior responsável. O Rio nunca teve base tão sólida para explodir. E na raiz disso tudo está o resgate do orgulho do povo carioca", diz Martins.

 

"O Rio virou sonho de consumo. E o maior desejo de quem vem de fora é achar apartamento em Ipanema, Leblon ou na Avenida Atlântica, em Copacabana", diz Marcus Cavalcanti, dono da empresa que leva seu nome e há 30 anos negocia imóveis de luxo.

 

Se tiver vista, então, é o máximo. O decorador baiano David Bastos procurou dois anos pouso na cidade. "Mas o Rio está impossível. É o lugar mais caro do mundo", exagera. Bastos, que tem escritório em São Paulo e assina casas chiques, queria apartamento com vista de cartão postal. Cristo Redentor, Pão de Açúcar, praia ou Lagoa Rodrigo de Freitas eram os visuais favoritos. Com o mercado carioca aquecido e os preços subindo, foi tão difícil achar o endereço certo que Bastos preferiu alugar. Agora, passa fins de semana no seu apartamento de três quartos na esquina da Joana Angélica com a Vieira Souto.

 

O mar de Ipanema está a seus pés. Da sala, ele admira as Ilhas Cagarras. Uma placa no prédio, onde também mora a escritora Danuza Leão, diz que Vinícius de Moraes viveu ali. O poeta nunca morou de fato no prédio, mas o frequentava por causa de uma namorada. Seja como for, a placa dá mais glamour. E David está amando fins de semana na cidade."A vida no Rio é mais descontraída", elogia. 

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