Turistas passam mal, e navio onde morreu cadeirante é retido

Segundo passageiro, 87 pessoas já tiveram diarreia e vômito; programação foi mantida

Tiago Décimo, SALVADOR, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 00h00

A Vigilância Sanitária de Salvador inspecionou ontem o navio MSC Sinfonia após turistas passarem mal. A embarcação deveria ser mantida no porto pelo menos até a manhã de hoje. De acordo com o relato de um passageiro, 87 pessoas já tiveram de ser atendidas, por causa de vômitos e diarreias, desde a partida do Recife, onde foi desembarcado o corpo da cadeirante Aline Mion Almeida, de 32 anos, na manhã de segunda-feira. Segundo a Assessoria de Imprensa da MSC Cruzeiros, cerca de 20 pessoas foram atendidas pela equipe médica do navio após mal-estar gastrointestinal.De acordo com a Vigilância, foram recolhidas para análise amostras de comida e da água servidas aos passageiros. Os resultados saem em uma semana. "O fornecimento de água foi interrompido e agora estamos pagando US$ 1,80 por garrafa de meio litro de água mineral", contou o administrador de empresas Otton Rogério Lima, de 46 anos, a bordo no navio com um grupo de 16 pessoas. "A gente também viu comida sendo jogada fora e funcionários fazendo uma limpeza pesada em algumas áreas do navio, usando até máscaras daquelas que dentistas usam. Estamos assustados com a situação."Lima contou também que, de seu grupo, dez pessoas já passaram mal. "Minha mãe, minha sogra e duas tias continuam recebendo soro, que está sendo fornecido pelo navio." O passageiro disse que, apesar de a programação de lazer ter sido mantida a bordo, o clima na embarcação é "pesado". "Por causa dessa morte e da quantidade de pessoas intoxicadas, estamos confinados dentro das cabines." O navio, que deveria ter deixado Salvador às 16h30 de ontem, ficou retido no porto. "O pior é que nenhum funcionário fala nada sobre o assunto, o que deixa o clima ainda mais tenso a bordo", diz Lima. A MSC confirmou que a programação seguiu normalmente ontem em Salvador. A empreso, por sua vez, negou a informação de que a água e a comida do navio tenham sido recolhidas pela Vigilância Sanitária. A empresa informou que o navio, com 2,7 mil passageiros a bordo, permanecia ontem à noite no porto à espera de autorização para seguir para o Rio. SUSPEITALima disse também que a cadeirante passou mal durante toda a noite anterior à sua morte. "A gente encontrou com ela na noite de domingo, fazendo compras normalmente", afirmou o administrador. "Depois ficamos sabendo que, antes de morrer, ela passou mal, vomitando a noite inteira." A informação contrasta com as primeiras apurações da Polícia Federal, que investiga o caso. O órgão, por meio da Assessoria de Imprensa, informou que, por causa do histórico de saúde da vítima - que sofria de distrofia muscular -, trabalha com a hipótese de "causas naturais" na investigação da morte.

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