Twitter revela estilo dos papas Bento e Francisco

Antecessor valoriza dimensão mística da vida cristã; para atual pontífice, empenho com o próximo é mais importante

13 Julho 2013 | 17h22

Em 12 de dezembro de 2012, no finzinho de seu pontificado, o papa Bento XVI entrou para o mundo do Twitter (@pontifex) - com contas em nove idiomas: latim, italiano, inglês, francês, espanhol, alemão, polonês, árabe e português (no caso, @pontifex_pt). Quando Bento renunciou, a Igreja decidiu arquivar todos os seus posts em uma página do site oficial do Vaticano. E "zerar" a conta, entregando o perfil em branco ao sucessor.

Francisco usa a ferramenta. Com quatro meses de papado, já é possível notar diferenças no conteúdo das mensagens. "É evidente que um não é o outro", diz o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer.

"O estilo de texto é semelhante, porque são frases diretas e simples, como o Twitter pede. Mas notamos uma grande diferença na importância que cada um dá a determinados temas - e isso é bem característico de cada um", diz o sociólogo e biólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A pedido do Estado, Neto analisou os tweets postados pelos dois papas. E concluiu que ambos dedicaram 70% das postagens a quatro grandes temas: a dimensão mística da vida cristã; a contraposição da cultura do ter com a cultura do amor ao próximo; empenho e testemunho; e confiança, esperança e alegria. A partir dessa divisão, o sociólogo percebeu as diferenças de conteúdo de cada um.

"No Twitter de Bento, o tema mais importante era a dimensão mística da vida cristã, a questão do encontro com Cristo", explica. Exemplos são: "Quando nos entregamos totalmente ao Senhor, tudo muda. Nós somos filhos de um Pai que nos ama e nunca nos abandona".

"Para Francisco, o mais forte é a contraposição entre a cultura do ter e a cultura do amar e a questão do testemunho e da missão cristã. São temas complementares, uma vez que a cultura do amar se explicita pelo testemunho, pelo empenho com o próximo", afirma o sociólogo.

"O atual papa está preocupado em dizer para os cristãos que eles devem ser mais atuantes", diz Neto.

/ E.V.

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