Ubiratan: defesa diz ter nova prova

Advogados tentam inocentar Carla Cepollina da acusação de homicídio, apontando falhas na análise de relatório

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2010 | 00h00

A defesa da advogada Carla Prinzivalli Cepollina, de 41 anos, acusada de matar o coronel da reserva e deputado estadual Ubiratan Guimarães há exatamente um ano, diz ter encontrado evidências da inocência de sua cliente. Ela vai usar como prova um relatório antigo elaborado pelo Setor de Homicídio da Corregedoria da Polícia Militar. Nele, PMs que estiveram na cena do crime chamam atenção para uma gravação suspeita deixada na secretária eletrônica de Ubiratan por um homem com sotaque gaúcho. ''''É a voz do morto!'''', dizia a mensagem. O relatório da PM aponta que o recado na secretária foi deixado às 21h15 do dia 10 de setembro. O corpo do coronel só foi encontrado às 22h28. Na semana seguinte à morte do coronel, peritos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) analisaram todo o histórico das mensagens da secretária eletrônica da vítima. Chegaram à conclusão de que a gravação era na verdade das 2h28 da madrugada e não das 21h15. De acordo com o laudo nº 0049079/2006 produzido pelo Instituto de Criminalística (IC), às 21h15 ''''o interlocutor desligou e não deixou mensagem''''. A tese das advogadas de defesa é outra. Após confrontarem os dados da quebra de sigilo telefônico da vítima com o histórico de chamadas da secretária eletrônica, perceberam uma diferença de apenas 5 minutos entre o horário da ligação registrada na relação dos telefonemas obtida com a quebra de sigilo telefônico e o horário mostrado na secretária eletrônica. O resultado é diferente do que atestou a perícia na época. ''''Não faz sentido. Como o relatório da Corregedoria da PM diz uma coisa e o laudo do IC diz outra?'''', pergunta a criminalista Dora Cavalcanti Cordani, que encabeça a defesa. ''''A Carla não foi a última pessoa a estar no apartamento. Alguém sabia que o coronel estava morto antes de o corpo ser encontrado.'''' O Estado entrou em contato com o tenente Marcelo Albuquerque Ramos da Silva, autor do relatório da PM, mas ele não foi localizado. As advogadas vêem outras incongruências nas provas do Ministério Público Estadual (MPE). Dizem que minutos depois de Carla deixar o apartamento do coronel, um sábado, dia 9, o elevador que costumava ficar no térreo voltou ao 7º andar, o mesmo de Ubiratan. Outra suspeita levantada pela defesa é que alguém ligou o celular de Ubiratan antes de o corpo ser encontrado. As advogadas dizem isso por causa do ''''torpedo'''' enviado por Carla ao celular do coronel, às 8h21 do dia 10. O aviso de recebimento retornou às 11h27. ''''A demora, segundo os técnicos, tem a ver com a falta de antenas próximas, o que não era o caso, uma vez que há uma estação rádio-base no topo do prédio da vítima. O celular também podia estar desligado e foi religado'''', diz a advogada. ''''Alguém religou o aparelho e não foi ele.'''' O laudo necroscópico feito no cadáver de Ubiratan não determinou o horário exato da morte. Indicou que ela se deu pelo menos 18 horas antes da localização do corpo. O promotor Marcelo Milani, do 1º Tribunal do Júri da capital, acredita que Ubiratan foi vítima de crime passional e que o tiro fatal foi disparado por Carla. ''''As provas juntadas nos autos são mais do que suficientes para levar a acusada a júri'''', afirma Milani. Carla é acusada de homicídio duplamente qualificado - motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. O MPE sustenta que, meses antes do assassinato, ciente da decadência do namoro, Carla estava furiosa com os telefonemas de outra mulher, a delegada federal Renata Madi. Renatinha - como o coronel a chamava - ligou duas vezes para Ubiratan no dia do crime. Na segunda vez, às 20h26, Carla disse que ele dormia. A perícia indica que Ubiratan morreu entre 19h30 e 20h30. Formada em direito, Carla diz que não consegue mais emprego desde o a morte do coronel. ''''Ela lamenta não ter podido velar o Ubiratan'''', diz a advogada. No mês passado, a defesa pediu que três ex-vizinhos do coronel - todos gaúchos - sejam ouvidos como testemunhas. FRASES Marcelo Milani Promotor "As provas juntadas nos autos são mais do que suficientes para levar a acusada a júri" Dora Cavalcanti Cordani Advogada de defesa "Como o relatório da PM diz uma coisa e o laudo do IC diz outra?" "A Carla não foi a última pessoa a estar no apartamento. Alguém sabia que o coronel estava morto antes de o corpo ser encontrado"

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