Ubiratan, do Carandiru à Assembléia Legislativa

O coronel da reserva da Polícia Militar e deputado estadual Ubiratan Guimarães, morto neste fim de semana com um tiro em seu apartamento nos Jardins, tornou-se conhecido no mundo todo por ter comandado o massacre do Carandiru, em São Paulo, ocorrido em 2 de outubro de 1992, véspera das eleições municipais, que terminou com a morte de 111 presos da Casa de Detenção. O que não deveria passar de um simples tumulto, após uma briga entre dois presos no Pavilhão 9, resultou em uma intervenção policial. Na época, a chacina teve grande repercussão internacional devido à quantidade de mortos, à violência e à forma como a polícia atuou para conter os presos. Agentes penitenciários levaram os feridos para a enfermaria no pavilhão 4 e trancaram a grade de acesso ao segundo andar. Pouco depois o cadeado foi rompido pelos detentos e o tumulto se generalizou. Em uma tentativa de conter a rebelião, a PM, armada e com cães, sob o comando do coronel Guimarães, invadiu a penitenciária. A Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), sem preparação adequada para lidar com esse tipo de ação, ocupou os dois primeiros andares do pavilhão. Todos os detentos que estavam no primeiro andar e 60% dos que estavam no segundo andar foram mortos.A morte de Guimarães não é o primeiro crime ligado ao massacre no Carandiru. O diretor do presídio na época do caso, José Ismael Pedrosa, foi assassinado em outubro de 2005, em Taubaté, no interior de São Paulo. A ação foi atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Condenação e AbsolviçãoGuimarães jamais foi preso pelo episódio, mas em 2001, chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, em primeira instância, pela morte dos detentos. Ele cumpriu a pena em liberdade e em 15 de fevereiro deste ano, o julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça e o ex-coronel, absolvido.A absolvição foi motivo de protestos de entidades de defesa dos direitos humanos e de famílias dos mortos no massacre. Desde que comandou a operação, Guimarães sempre recebeu ameaças de morte.Carreira PolíticaEm 1994, dois anos depois da chacina do Carandiru, Guimarães candidatou-se a deputado pelo PSD de Nabi Abi Chedid, líder do partido na Assembléia Legislativa. Teve 26.156 votos, mas foi para a suplência aguardar por uma combinação de eventuais desistências e renúncias, o que acabou acontecendo. Guimarães, que tinha como lema ?lugar de bandido é na cadeia ou no cemitério? e usava o número 111 em sua campanha, estava em seu segundo mandato, agora no PTB, como deputado estadual. Ele foi eleito com 56 mil votos, e sua volta à Assembléia Legislativa já era dada como certa, principalmente depois dos ataques atribuídos ao PCC.Coronel da reserva da Polícia Militar, onde permaneceu por 32 anos, Guimarães exerceu, entre outros, o comando do Policiamento Metropolitano, do Policiamento de Choque e do Regimento de Cavalaria 9 de Julho. Foi membro das CPIs do Crime Organizado e da Favela Naval. O coronel participava das Comissões de Segurança Pública e Administração Pública, além de presidir a Comissão de Assuntos Municipais.

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