UE prendeu 200 mil ilegais no 1º semestre

ONU criticou ontem publicamente a política européia

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

03 Outubro 2008 | 00h00

Em apenas seis meses, a União Européia (UE) colocou em prisões 200 mil estrangeiros que tentavam entrar de forma ilegal ou viviam sem visto em um dos 27 países do bloco. A explosão de prisões obrigou a Organização das Nações Unidas (ONU) a criticar ontem publicamente a Europa pela forma que está tratando imigrantes e pessoas em busca de asilo político. Navanethem Pillay, juíza sul-africana e nova alta comissária da ONU para Direitos Humanos, fez questão de atacar diretamente os governos pelo endurecimento das políticas. "A maioria de imigrantes, refugiados e demandantes de asilo não é de criminosos e, portanto, não pode ser confinada em centros de detenção como criminosos", afirmou Pillay. A cada dia, cerca de 20 mil estrangeiros em prisão nos centros de imigração espalhados pela Europa esperando por deportações, enquanto os governos da região compram até mesmo satélites, barcos e alta tecnologia para controlar a circulação de pessoas chegando às costas do continente. Na semana passada, o chanceler Celso Amorim já havia criticado a Europa pelo mesmo motivo. Há poucos dias, os ministros do Interior da UE adotaram um novo pacote de medidas que vai dificultar a entrada de estrangeiros no bloco e basicamente limitará os vistos de acordo com a demanda do mercado europeu. Bruxelas afirma que existem 8 milhões de imigrantes ilegais vivendo na Europa. Desses, 200 mil foram presos no primeiro semestre, mas houve menos de 90 mil expulsões. Por ano, 600 mil ilegais entram no continente. Outra regra já aprovada aumenta o período de detenção de um estrangeiro sem visto. Um imigrante flagrado nessas condições pode ficar até 18 meses na prisão, antes de ser enviado de volta ao país de origem. Para Pillay, as novas leis européias podem dar margem a "abusos" e períodos longos de detenção de estrangeiros. "Temos muitas preocupações com a forma punitiva como a Europa está tratando da imigração", afirmou. "Isso tudo me parece um exagero", afirmou a sul-africana. "Prisões são apenas para ser usadas como último recurso. Não para colocar imigrantes ilegais", disse. Ela afirma que um de seus temores é de que os governos europeus decidam usar as prisões como "regra" e não apenas em casos extremos.

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