UE se prepara para lançar pacote contra imigração

A tendência de dificultar a entrada de estrangeiros prolifera pela Europa e o bloco deve criar, no próximos meses, uma nova lei antiimigração para lidar com os cerca de 600 mil estrangeiros que a cada ano cruzam as fronteiras do bloco irregularmente. Membros do governo britânico, que tentam impor o visto aos brasileiros, estão preocupados com um fator futuro: a candidatura de Londres para ser sede da Copa do Mundo de 2018. As medidas contra os turistas e imigrantes poderiam criar um sentimento de hostilidade entre os governos e atrapalhar a busca por apoios para a candidatura. No caso do Brasil, Londres sabe que compraria uma guerra com o governo se tivesse decidido simplesmente impor o visto, sem debate. Para os ingleses, há dois tipos de abusos cometidos por cidadãos de 11 países. Um é o de se aproveitar da autorização para a permanência de curta duração para acabar ficando na Inglaterra como ilegais por um longo período. Outro problema é que, sem a necessidade de visto, o tráfico de drogas estaria se aproveitando de cidadãos dos países listados para conseguir comercializar seus produtos. Na Europa, crescem as medidas contra a imigração. A França, que preside o bloco, sugeriu a criação de uma lei que dificulte a imigração. Brasil e Venezuela já protestaram. O tema está em debate, mas alguns governos já vêm adotando medidas de restrição e até mesmo ajudando estrangeiros a retornar a seus países. Na Espanha, o governo propõe pagar o seguro-desemprego aos estrangeiros que tenham perdido o trabalho. A condição é simples: que voltem imediatamente a seus países de origem e não entrem na Espanha por pelo menos cinco anos. Na Itália, o governo adotou a política de tolerância zero contra ilegais. Mas, nesta semana, o tema provocou um terremoto político no país. Um jornal publicou a foto de uma nigeriana ilegal praticamente inconsciente no chão de uma delegacia de Parma. Em junho, o chanceler Celso Amorim se reuniu com a União Européia e deixou claro que o Brasil protestaria contra medidas discriminatórias contra os brasileiros no continente europeu. No início do ano, o Itamaraty foi obrigado a intervir diante do número elevado de brasileiros que estavam sendo deportados da Espanha. A média chegava a 16 brasileiros por dia. DETENÇÕES A polícia espanhola deteve ontem 84 pessoas, na maioria brasileiros, acusadas de integrar uma rede de falsificação de documentos de entrada na UE. O grupo forneceria documentos a prostitutas por até US$ 745.

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

15 Agosto 2008 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.