Uerj criou estratégias para incluir cotistas

Pioneira a adotar o sistema na educação pública superior, universidade elaborou um relatório que avaliou os estudantes entre 2004, quando as cotas foram implementadas, e 2010

Heloisa Aruth Sturm / RIO, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2012 | 09h18

RIO DE JANEIRO - Os debates envolvendo as cotas no ensino superior esbarram em duas questões principais: a capacidade dos alunos de acompanhar o ritmo das aulas e a possível queda na qualidade do ensino. Pioneira a adotar o sistema de cotas na educação pública superior, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) elaborou um relatório de desempenho acadêmico que avaliou os estudantes entre 2004, quando as cotas foram implementadas, e 2010, ano de formação da primeira turma nesse modelo.

A instituição analisou a trajetória dos alunos do 1.º ano do curso de Estatística, para avaliar se os requisitos básicos adquiridos no ensino médio foram suficientes para o desempenho universitário. Das cinco disciplinas consideradas essenciais, em quatro os cotistas obtiveram índice de aprovação superior aos demais. O relatório mostrou que o grande desafio para os cotistas não está relacionado à defasagem no ensino, mas sim à evasão escolar.

Por isso, desde 2004 a Uerj mantém o Programa de Iniciação Acadêmica (Proiniciar), de apoio à permanência do cotista na instituição, com projetos de apoio acadêmico e financeiro.

Gerenciado pelo Departamento de Desenvolvimento Acadêmico e Projetos de Inovações (Deapi), oferece auxílio como a bolsa-permanência, no valor de R$ 300, e a distribuição de livros didáticos. O programa prevê cursos extraclasse, como reforço escolar em português, matemática e língua estrangeira, e as chamadas "atividades instrumentais", cursos modulares de 30 horas nas três grandes áreas do conhecimento, além de oficinas culturais e projetos de ensino, pesquisa e extensão.

A Uerj reserva 20% de suas vagas para negros e indígenas, 20% para alunos egressos da rede pública de ensino e 5% para pessoas com deficiência e filhos de policiais e inspetores, entre outros. O critério é cumulativo ao da análise socioeconômica de restrição de renda familiar. Por isso, o vestibulando deve ainda comprovar ser aluno carente.

Desde a implementação do sistema, 7.059 alunos já ingressaram na Uerj por meio das cotas - 2.131 concluíram a graduação e 1.462 desistiram do curso.

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