Última chamada, aeroporto do futuro

Brasil está entre os países que testam medidas para acabar com filas, facilitar embarque e acelerar viagens

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

05 de abril de 2009 | 00h00

Viagens de avião sem burocracia nem filas de check-in, pois os códigos das passagens estarão armazenados no celular. Agilidade para acessar a área de embarque, com leitores de impressões digitais e facilitação na chegada a países estrangeiros, pois as autoridades já terão os dados do passageiro no momento em que ele comprou o bilhete aéreo pela internet. Essas são algumas das medidas imaginadas para o "aeroporto do futuro" e que estão em fase de testes em países como Alemanha e Holanda. Algumas serão testadas neste ano no Brasil, revela o representante da Associação Internacional do Transporte Aéreo (da sigla em inglês Iata), Filipe Reis. "O objetivo do projeto, com o uso da tecnologia, é acelerar o processo da viagem, torná-la mais agradável, menos estressante ao passageiro e permitir que as autoridades tenham mais e melhores informações sobre as pessoas que entram e saem do país", afirma Reis, estimando que daqui a dez anos essas medidas estarão em vigor. Segundo ele, a Iata já estuda há vários anos mecanismos para facilitar as viagens, só que essa ideia ganhou mais importância após os atentados de 11 de setembro de 2001, que tornaram os voos mais complicados por causa dos controles de segurança. A Iata formou um grupo integrado pelas companhias aéreas, autoridades aeroportuárias, polícias e receitas federais, provedores de tecnologia, aduanas e agências regulatórias de 30 países para pensar, desenvolver e implementar esse projeto. Ele foi batizado de SPT (da expressão em inglês Simplifying Passenger Travel, ou simplificando a viagem do passageiro). Esse grupo se reúne duas vezes por ano, afirma Reis. Os integrantes do grupo avaliam que o projeto pode ajudar a minimizar as deficiências de infraestrutura aeroportuária no Brasil. Reis afirma que TAM e Gol já estão dando os primeiros passos para se adaptarem ao "aeroporto do futuro". A TAM oferece quiosques de autoatendimento que emitem o bilhete eletrônico. Segundo Reis, em Congonhas, quase a metade dos check-ins da TAM é feita por meio desse equipamento. A Gol oferece para passageiros que embarcam em Santos Dumont, Congonhas, Guarulhos, Tom Jobim, Confins e Brasília a alternativa de receber o código da passagem por mensagem no celular. O bilhete é emitido no balcão de check-in. A Iata elaborou uma animação em computação gráfica para mostrar como será a viagem aérea no futuro. Nela, uma passageira inicia o processo fazendo reserva de passagem internacional pela internet. As autoridades de imigração e polícia federal dos dois países envolvidos recebem os dados para verificação, desde o número de passaporte (que terá um chip, medida que deve ser testada pela Polícia Federal do Brasil neste ano) até antecedentes criminais. No dia da viagem, a passageira faz o check-in pela internet e as autoridades policiais e de imigração dos países de origem e destino realizam nova checagem. Caso uma das partes diga que há alguma irregularidade, o bilhete pode não ser emitido. Se ambas as autoridades permitirem, o código do cartão de embarque é enviado ao celular. No aeroporto, a passageira virtual se dirige ao quiosque de autoatendimento, que lerá o código do cartão de embarque da tela do celular. Esse equipamento também lerá o chip do passaporte e o polegar (leitor de íris e reconhecimento facial são outras possibilidades em estudo) para identificar a pessoa. Esse mesmo quiosque vai emitir o tíquete da bagagem e pesá-la. O próximo passo será se encaminhar a uma área comum de entrega das malas que serão rastreadas via radiofrequência para evitar extravio. Depois disso, a passageira vai para a área de embarque, onde máquinas lerão o código do cartão de embarque armazenado no celular. "Estamos discutindo com a Infraero como poderemos implementar esse sistema no Brasil", afirma Reis. Um dos desafios é a área de raio X. A meta é melhorar o fluxo dos passageiros e evitar que tenham de tirar o notebook da mala ou cintos de metal.

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