Última manutenção em equipamentos no Pão de Açúcar aconteceu em 2009

Alpinista de 32 anos morreu ao cabo de aço ceder; polícia Civil vai apurar se alpinista usava material de segurança e se houve falha humana, de equipamentos ou na própria trilha

Antonio Pita, de O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2012 | 19h38

Uma vistoria nos equipamentos utilizados na trilha de alpinismo do morro do Pão de Açúcar, na zona sul do Rio, indicou que o cabo de aço utilizado por Bruno da Silva Mendes, de 32 anos, se rompeu quando ele escalava o local, na tarde do último domingo, 2. Segundo a Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (Femerj), a última manutenção havia sido em 2009. Mendes morreu após despencar de uma altura de 70 metros e Andréia Pereira, de 40 anos, que o acompanhava, ficou ferida mas passa bem. Nesta segunda, 3, o trecho do acidente conhecido como Via Cepi foi interditado pela Polícia Civil.

Mendes foi sepultado no final da tarde desta segunda em Niterói, na região metropolitana do Rio. Ele era casado, mas não tinha filhos. A família está em choque com o acidente. De acordo com amigos, o alpinista era experiente e fazia a trilha do Pão de Açúcar com frequência.

As causas do acidente estão sendo investigadas pela Polícia Civil que vai ouvir testemunhas ao longo da semana. De acordo com a delegada Andréa Nunes, instrutores de rapel e peritos farão uma inspeção na trilha e nos equipamentos utilizados por Mendes. Os agentes investigam se ele utilizava material de segurança e se houve falha humana, de equipamentos ou na própria trilha.

O presidente da Femerj, Dilson Queiroz, esteve no trecho em que ocorreu o acidente ainda na noite de domingo. A trilha Via Cepi tem cerca de 200 metros de altura e é considerada fácil pelos alpinistas. Ela é demarcada por um cabo de aço preso à rocha que serve de guia. Foi este cabo que se rompeu no momento do acidente.

"Mesmo com o rompimento do cabo, ainda não entendemos como e o quê ocasionou esta queda. Sabemos que Bruno seguia na frente da corda como guia da escalada e estava preso por uma corda a Andréia", disse Queiroz. No percurso da trilha há, desde 2009, cartazes orientando os alpinistas a evitar a trilha em função do estado "precário" dos cabos em alguns trechos. Segundo Queiroz, a manutenção dos equipamentos é feita pelos próprios usuários - a última, realizada há três anos, estava no prazo previsto pela instituição.

De acordo com os oficiais do Grupamento de Operações Aéreas (GOA) do Corpo de Bombeiros, Mendes e Andréia estavam a 20 metros do topo do morro quando o cabo se rompeu, por volta das 15h30 de domingo. O alpinista caiu por mais de 70 metros, bateu diversas vezes contra o morro e ficou pendurado por um cabo a Andréia. O resgate aéreo levou uma hora para chegar até as vítimas, em função do difícil acesso ao local.

Primeira a ser resgatada, Andréia teve escoriações leves. Ela foi encaminhada para um hospital municipal na Gávea, na zona sul, e liberada ainda na noite de domingo. Mendes foi resgatado inconsciente pelos bombeiros e levado ao hospital, mas não resistiu.

Mais conteúdo sobre:
Pão de Açúcar, acidente

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.