Ultimato do PC do B segurou 6ª degola na Esplanada

Bastidores: Vera Rosa

O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2011 | 03h03

A presidente Dilma Rousseff decidiu manter no cargo o ministro do Esporte, Orlando Silva, para não ir "a reboque" da imprensa nem entregar a sexta cabeça de seu governo na esteira de denúncias publicadas na mídia. Orlando ganhou sobrevida após ter convencido Dilma de que não há provas para derrubá-lo e depois de muita pressão do PC do B.

"Vamos tocar a vida para a frente e esperar os próximos acontecimentos", disse a presidente durante a conversa com Orlando, ontem à noite, no Palácio do Planalto. Dilma avaliou que o titular do Esporte foi "muito firme" ao dar os esclarecimentos sobre as acusações contra ele e, de acordo com interlocutores, decidiu não mais ficar refém da imprensa. Orlando disse que estava sendo vítima de "calúnias" por parte de um "delinquente", o policial militar João Dias Ferreira.

Sem convicção do envolvimento do ministro nas denúncias, a presidente resolveu pagar para ver e dar nova chance ao ministro, apesar do desgaste político. Não foi só: a cúpula do PC do B também avisou o governo que não aceitava indicar outro nome da legenda para a cadeira de Orlando. Ameaçou até mesmo sair da base aliada, caso o ministro fosse dispensado.

A crise no Ministério do Esporte azedou de vez as relações entre o PT e o PC do B. Orlando passou o dia de ontem em várias reuniões com dirigentes de seu partido, que viram no episódio o "fogo amigo" de petistas e anunciaram que iriam resistir.

"Tem muito olho gordo nessa cadeira por causa da Copa do Mundo de 2014, mas o PC do B não aceita sair assim, com a pecha de corrupto", resumiu o presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, que encerra o mandato nos próximos dias. "Somos um partido diferente dos outros."

Em conversas reservadas, parlamentares e dirigentes do PC do B afirmam que muitas das denúncias são alimentadas e estimuladas por interlocutores do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT).

Alvo de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de envolvimento em fraudes quando era titular do Esporte e filiado ao PC do B, Agnelo está hoje em rota de colisão com o antigo partido.

O Palácio do Planalto temia uma revanche do PC do B para derrubar Agnelo, o que pesou para Dilma tomar a decisão de manter o ministro. Além disso, aliados de Orlando já diziam que ministérios comandados pelo PT, como a Saúde e a Educação, não resistiriam a uma devassa em seus convênios.

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