Últimos momentos da brasileira foram registrados por câmeras de segurança de navio

Segundo o Itamaraty, as imagens mostram que Laís Santiago, de 21 anos, pulou em alto mar

Vanessa Medeiros - Especial para o Estado de S. Paulo,

04 Junho 2012 | 17h27

SANTOS - O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou a família que câmeras de monitoramento do navio Costa Mágica registraram o momento em que a brasileira Laís Santiago, de 21 anos, que trabalhava como ajudante de garçom, pulou em alto mar, com a embarcação em movimento. Segundo o Itamaraty, as imagens mostram que por volta das 2 horas da madrugada de sábado, Laís por alguns segundos hesitou, mas acabou saltando.

Mesmo tendo acesso a esta informação, a família afirma que só acreditará em suicídio quando vir as imagens. "Até agora não entraram em contato conosco. Tudo o que sabemos é através da Imprensa", disse a madrinha.

A mãe de Laís faz tratamento de quimioterapia em tratamento a um câncer de intestino. A avó da jovem faleceu há cerca de 1 mês, mas a família afirma que ela não teve acesso a esta informação. A madrinha conta que a afilhada não sabia destas informações e não apresentava sinais de depressão. "Ela é muito alegre. Cheia de sonhos e muita vontade de viver".

A família contratou o advogado criminal e civil Vicente Cascione para cuidar do caso. "Pedimos a liberação de um cópia destas imagens."

O advogado informou que aguarda um posicionamento da empresa e esclarecimento do caso, mas que a indiferença da Costa Crociere à situação da família pode gerar uma ação de danos morais. Segundo Cascione, a família contou a ele que Laís reclamava do excesso de trabalho e da mudança de cargo. Ela estaria exercendo a função de catadora de lixo'.

Laís  trabalhava como ajudante de garçom desde o dia 27 de março quando embarcou no navio Costa Mágica . Esta era a segunda viagem internacional da jovem. Em fevereiro deste ano, ela voltou de outro cruzeiro pela Europa. O contrato que era de 8 meses, se estendeu para 11 meses.

"Ela adorava trabalhar em navios. Falava um pouco de inglês, espanhol e italiano. O sonho dela era fazer faculdade de turismo", disse Wania do Nascimento Lima, madrinha de Laís, em entrevista coletiva na manhã desta segunda feira, em Santos, litoral de São Paulo.

O retorno ao Brasil estava previsto para dezembro deste ano, mas no último contato com a família no final de maio, Laís avisou que deixaria o transatlântico no dia 28 de junho. De acordo com Maria Inês Santiago da Penha, mãe da tripulante, a filha não contou o motivo da antecipação. "Ela disse que voltaria nesta data, para não nos assustarmos. O tom de voz dela estava normal."

Muito abalada, a mãe contou que no sábado, 2, a Infinity Brazil, empresa responsável pelo recrutamento da jovem, ligou avisando sobre o sumiço da tripulante.

"Eles contaram que ela trabalhou normalmente na manhã de sexta-feira, mas não apareceu para o turno das 18h. Procuraram por ela em todo navio, mas não conseguiram encontrá-la. Eles garantiram que ela não saiu do navio. As coisas dela, os documentos ainda estão na cabine". O navio havia partido de Malta rumo a Catânia, cidade na região da Sicília, na Itália, e estava a cerca de 30 km da costa quando Laís sumiu.

O registro do desaparecimento foi feito no sábado, às 9h30 da manhã (horário local). Wania desmentiu a informação de que Laís estivesse namorando um tripulante do navio. "Ela conheceu um indiano, que também trabalhou com ela na temporada de cruzeiros anterior. Nós soubemos que ele estava apaixonado por ela, mas só isso. Não quero comprometer o rapaz. Procuramos na casa dela fotos ou mensagens sobre ele, mas não encontramos nada. Ela não tinha nada sério com ele."

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