Um 3º avião atrapalhou comunicação

Cindacta foi acionado no mesmo instante que Legacy recebia dados

TÂNIA MONTEIRO, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

Não bastasse a sucessão de erros de pilotos e controladores, que foram derrubando cada uma das barreiras de segurança que poderiam evitar o segundo maior acidente da história da aviação civil brasileira, com 154 mortos, algumas raras coincidências e fatos inesperados contribuíram para a tragédia. Após desesperadas tentativas de falar com os controladores de Brasília, a última comunicação a que os pilotos do Legacy procuraram fazer com o Cindacta-1 não foi ouvida pelos militares na capital federal porque uma outra aeronave que passava pela região acionou o botão de chamada no mesmo momento.O problema é que, quando dois rádios acionam esse chamado ao mesmo tempo, nenhum dos dois fala e o receptor também não ouve ninguém. Depois disso, o Legacy não conseguiu mais chamar Brasília porque a freqüência de rádio que estava usando não alcançava mais o Cindacta-1.Na chamada anterior, o piloto do Legacy pediu a Brasília que repetisse as freqüências que deveria passar a usar. O piloto só conseguiu ouvir os três primeiros dígitos da seqüência numérica 123,32 Mhz, sem conseguir entender os décimos e centésimos. Quando o Legacy pediu para que a freqüência fosse repetida, Brasília não conseguia mais ouvi-lo. NOVAS ORIENTAÇÕESA FAB não busca culpados pelo acidente, mas os fatores que contribuíram para que acontecesse. O objetivo é emitir recomendações para evitar que outras tragédias aconteçam pelos mesmos erros cometidos. Em decorrência do choque do Gol com o Legacy, 65 novas orientações estão sendo encaminhadas a diferentes órgãos ligados à aviação civil, no Brasil e no exterior, para melhorar as condições de segurança dos vôos. Ficou clara, após a tragédia, a necessidade de que todas as regras preestabelecidas para pilotos e controladores sejam seguidas de maneira rigorosa.Uma delas propõe que seja aperfeiçoado o funcionamento do transponder, uma vez que foi constatado que é possível confundir dados do rádio do avião com o do equipamento. Além disso, o equipamento pode entrar em stand by por um descuido do piloto. Outra recomendação, que vale tanto para o Cindacta quanto para o fabricante do avião, pede que se melhore o sistema de alerta visual e até se crie um alerta sonoro que seria acionado quando o transponder deixasse de operar.

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