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Um alerta de candidato

Ao eleger Aécio Neves o candidato de oposição em 2014, o presidente Lula mandou um recado à base aliada pela unidade em torno da presidente eleita Dilma Rousseff, cuja capacidade de administrar os interesses da mega aliança que a sustenta está sendo testada ao limite antes mesmo de sua posse.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2010 | 00h00

A convicção geral de que o ministério anunciado até aqui segue o modelo de convocação da seleção brasileira de futebol - provisório até a véspera da copa - dá bem a medida das dificuldades em conciliar a escalação ideal com o apetite por cargos. Dilma começa o jogo com uma base confiável de ministros chamados da Casa, com a memória da gestão que acaba.

Mas é só. De interlocutores próximos, o presidente não esconde a preocupação com o cenário mais adverso que sua sucessora encontrará para o chamado governo de continuidade, que recomenda ministros muito acima do padrão obtido nas negociações com a base.

A economia não será mais tão favorável, com ajustes internos incontornáveis, que o esforço de Lula em desmentir contrasta com a realidade orçamentária. E que expõe as dificuldades para os investimentos indispensáveis ao país.

Uma base insatisfeita forma a pior das oposições e abre espaço para o crescimento de uma liderança como a de Aécio Neves, com poder de sedução entre governistas. Capaz de se fortalecer na mesma proporção do desgaste do governo e ser alternativa a Lula em 2014.

Nova rodada

De olho nos cargos da Mesa Diretora e nas principais comissões, a bancada do PMDB no Senado se reúne em Brasília nesta terça-feira. Os planos de poder dos peemedebistas preveem José Sarney na presidência por mais dois anos e a recondução de Renan Calheiros (AL) à liderança da bancada. O senador eleito pelo Ceará Eunício Guimarães, da Executiva do partido, que andou alimentando o sonho de presidir o Senado, deve acabar indicado para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa. Não é pouco, ouviu no Planalto.

Segunda divisão

Sem mandatos, Ciro Gomes (PSB) e Geddel Vieira Lima (PMDB) estão entre os primeiros da fila para uma vaga no segundo escalão do governo. Ciro quer a presidência do Banco do Nordeste, e Geddel, a presidência da Companhia Hidrelétrica do São Francisco. Mas pode ficar com a Embratur. Ambos estarão, mesmo no segundo escalão, à frente de orçamentos ricos, dos que no jargão político se diz que "corta e sai sangue".

Chance perdida

Com sua autonomia frequentemente posta em dúvida na formação do ministério, a presidente eleita Dilma Rousseff , na avaliação de aliados isentos, perdeu uma ótima oportunidade de se afirmar ao manter o deputado Pedro Novais no Ministério do Turismo. Embora longe de ser o único exemplo de mau uso do dinheiro público, é o mais emblemático na avaliação geral. Novais virou piada nacional ao pedir à Câmara ressarcimento de despesas num motel e perder a autoridade sobre o cargo, antes mesmo de exercê-lo.

"Lençóis Maranhenses"

De um conhecido juiz de tribunal superior, ironizando o episódio: "O ministro começou a trabalhar antes da posse, conhecendo os "Lençóis Maranhenses", disse, numa alusão ao mais belo cartão postal do Maranhão e um dos mais bonitos do País.

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